No comércio, Dilma só apoia o multilateralismo

Para presidente, acordos bilaterais oferecem a ilusão de ganhos, mas acabam enfraquecendo a indústria, a agricultura e o setor de serviços

LISANDRA PARAGUASSU/BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2013 | 02h09

O governo acredita em acordos comerciais multilaterais e não em negociações bilaterais. Em seu discurso anual na formatura dos novos diplomatas do Itamaraty, a presidente Dilma Rousseff deixou claro que, apesar das críticas à escolha feita pelo governo, o Brasil continuará investindo no multilateralismo e não pretende colocar esforços maiores em acordos bilaterais. Setor mais atingido pela crise, a indústria pede ampliação dos tratados comerciais de livre comércio do País.

"Acreditamos que nossos problemas de comércio exterior, complexos, em um mundo dominado pelo crescente protecionismo, só podem se resolver em um marco multilateral, regional ou global. Acordos bilaterais, sobretudo aqueles entre economias assimétricas, oferecem muita vezes a ilusão de ganhos imediatos, mas terminam por produzir o resultado oposto, enfraquecendo a indústria nacional, a agricultura e o setor de serviços", afirmou Dilma.

O discurso, feito na formatura da turma de diplomatas do Instituto Rio Branco, é tradicionalmente o momento em que a presidente dá as linhas da sua política externa. Como em anos anteriores, Dilma defendeu a reforma dos sistemas de governança global, incluindo o FMI, o Banco Mundial e o Conselho de Segurança daONU, e reforçou o papel do Brasil como ator global interessado em um desenvolvimento sustentável.

Em meio a críticas de que o Brasil está perdendo oportunidades ao não buscar negociações bilaterais, a presidente preferiu deixar claro que o seu governo continuará investindo em acordos maiores. Uma das maiores reclamações tem sido o fato do governo brasileiro ter investido muito tempo na hoje quase moribunda Rodada Doha, na Organização Mundial do Comércio.

Mercosul. Além disso, por seis anos foi deixada de lado a tentativa de um acordo Mercosul-União Europeia, cujas conversas foram retomadas no ano passado, Uma tentativa de conversas com o México, no chamado Acordo Estratégico de Integração Econômica, foi descartada depois que os mexicanos desistiram de negociar. Hoje, o Brasil possui acordos de livre comércio com Israel, Egito e Palestina, e outros acertos tarifários, passíveis de serem feitos à margem do Mercosul, com a maior parte dos sul-americanos.

Enquanto isso, EUA e União Europeia estão conversando e os americanos também tentam uma aproximação com os países do sudeste asiático, além de já ter acordos de livre comércio com três dos principais vizinhos sul-americanos, Chile, Peru e Colômbia. O crescimento da Aliança do Pacífico, reunindo esses três sul-americanos e o México, também foi tratado como um sinal de alerta, mas o governo brasileiro ainda vê o acordo mais como uma oportunidade do que uma ameaça.

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