No comércio varejista, a recuperação é mais lenta

Menos emprego e renda derrubam o varejo; além de não poderem manter o padrão de vida, os consumidores reduzem não só compras de itens acessórios, mas até essenciais

O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2016 | 03h00

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta vendas de R$ 4,2 bilhões no Dia dos Pais, uma das seis datas do ano mais importantes para o varejo. É um número expressivo, equivalente a 5,6% do total das vendas esperadas para todo o mês de agosto, mas inferior em 9,4% ao das vendas do Dia dos Pais de 2015. A estimativa retrata as dificuldades enfrentadas pelo setor, no qual a recessão mal dá sinais de trégua.

Indicadores da CNC divulgados em reportagem do Estado mostram que 67,9 mil lojas foram fechadas em todo o País no primeiro semestre. A média de 375 por dia superou em 143% a de igual período do ano passado, quando 27,8 mil estabelecimentos encerraram as portas.

Menos pontos de venda significa menos emprego, pois o comércio varejista é um dos setores que mais dependem de mão de obra. Foram fechados 278,5 mil postos de trabalho em 2015 e a CNC projeta a eliminação de mais 267,2 mil neste ano.

A inflação verificada nos itens básicos, como alimentos, foi um dos fatores determinantes do aperto no comércio varejista. Motivo: o peso dos supermercados no setor. A situação foi constatada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo (Sincovaga): 6 mil associados deixaram a entidade entre o final do ano passado e o primeiro semestre deste ano, segundo o presidente Álvaro Furtado. “Os varejistas estão perdendo clientes para os atacarejos”, enfatizou Furtado.

Para enfrentar a carestia, formam-se grupos de consumidores para comprar quantidades maiores e ganhar com a escala. Pequenos estabelecimentos da periferia também compram em atacarejos para atender a clientela local.

Segundo a CNC, foram fechados 22,8 mil hiper ou supermercados no primeiro semestre, 12,7 mil lojas de vestuário e calçados, 7,1 mil varejistas de material de construção e 7 mil de artigos de uso pessoal e doméstico. São os segmentos mais atingidos pela recessão.

Menos emprego e renda derrubam o varejo. Além de não poderem manter o padrão de vida, os consumidores reduzem não só compras de itens acessórios, mas até essenciais. A massa cativa de consumidores com renda estável, como aposentados e servidores públicos, que mantêm a demanda em fases ruins, já não é suficiente. É possível que só uma queda de preços de alimentos mais atingidos pelo clima desfavorável possa ajudar.

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