Beto Barata/Presidência
Beto Barata/Presidência

No Conselhão, empresários veem pouca chance de retomada do crescimento em 2017

Nomes importantes do empresariado indicam que o grande desafio do governo é evitar a continuidade da recessão

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2016 | 16h29

A saída da recessão em 2017 não é uma certeza entre os representantes do setor privado que participam do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão. Nomes importantes do empresariado indicam que o grande desafio do governo no próximo ano é impedir a continuidade da recessão.

Abílio Diniz, um dos grandes acionistas do grupo alimentício BRF e sócio do Carrefour não escondeu o pessimismo e descarta a retomada do crescimento no curto prazo. "A previsão é muito ruim. Não podemos imaginar que vamos chegar a 2017 com crescimento", disse o empresário durante a reunião no Palácio do Planalto.

Apesar de ser investidor em duas grandes empresas ligadas ao varejo, Diniz disse ser preciso haver investimento em infraestrutura com o argumento de que não é mais possível "fazer crescimento" com base no consumo.  O empresário defende a realização de reformas estruturantes e, em especial, algo que proporcione o detravamento dos   investimentos em infraestrutura e a unificação das alíquotas do ICMS, para colocar um fim à guerra fiscal entre os Estados. 

Com muitas incertezas à frente, a presidente da Latam Brasil, Claudia Sender, afirma que o debate econômico não deveria estar focado na velocidade da retomada e sim na sustentabilidade desse movimento. Para a executiva, o principal desafio em 2017 é colocar a recessão para trás. "Precisamos acabar com este ciclo vicioso de pessimismo", afirmou, ao defender que medidas impopulares devem ser tomadas de forma mais rápida.

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, ressalta que indicadores recentes sinalizam que o pior está ficando para trás, já que o nível de confiança reagiu recentemente. Mas o principal executivo do segundo maior banco privado do País reconhece que o resultado da eleição nos Estados Unidos - com Donald Trump eleito - influencia o cenário e reduz, por exemplo, o espaço para o corte de juros no Brasil. 

Para Trabucco, 2017 ainda será um ano de desafio para obter crescimento. "Encontrar os motores do crescimento acho que é o grande desafio que sociedade e governo têm  para encontrar a retomada. Porque sem a retomada através do investimento privado a gente não vai ter um ciclo de geração de emprego", afirmou.

Reformas. Para acabar com as incertezas e recolocar a economia na trajetória de crescimento, o receituário é sempre o mesmo: reformas. O presidente do Itaú-Unibanco, Roberto Setubal, avaliou que o crescimento econômico acima de 2% ao ano no Brasil só será possível se três reformas forem realizadas: a trabalhista, a das regras de intermediação financeira e a política.

A mesma estratégia foi defendida pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf. "Em outubro, houve um sinal de retomada. Em novembro, freou. Mas as reformas estruturais do País previstas para serem aprovadas em 2017 podem reverter este quadro", afirmou.

(Luisa Martins, Idiana Tomazelli, Lorenna Rodrigues, André Borges, Carla Araújo e Igor Gadelha)

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.