No embalo dos alimentos, vendas de adubos sobem 17,9%

As vendas de fertilizantes no Brasilcresceram 17,9 por cento no primeiro trimestre do ano, nacomparação com o mesmo período de 2007, para um recorde de 5,42milhões de toneladas, informou a Associação Nacional paraDifusão de Adubos (Anda) nesta quinta-feira. Em meio a estoques internacionais baixos dos principaisgrãos, enquanto cresce o consumo para alimentação e para afabricação de biocombustíveis, os agricultores brasileirosestão investindo nas lavouras para produzir mais, com oobjetivo de aproveitar os elevados preços das commodities. "Há uma euforia por produtividade agrícola", afirmou odiretor-executivo da Anda, Eduardo Daher, em entrevista portelefone. Segundo ele, o resultado do trimestre se explica pelas boasvendas registradas para os agricultores que investiram no milhosegunda safra (safrinha), cujo plantio foi finalizadorecentemente, e também em função de uma antecipação de compraspara a safra de verão, que responde pela maior parte daprodução nacional de grãos, com a semeadura realizada só apartir do segundo semestre. "Evidentemente, aqui está a demanda da safrinha de milho,das culturas de inverno em janeiro e fevereiro, e tem tambémuma notória antecipação de compras da safra de verão",destacou. Daher lembrou que o produtor está repetindo neste ano umaestratégia que foi bem-sucedida em 2007. "Quem antecipou ascompras no ano passado fez um bom negócio porque os preçoscontinuaram se elevando, e há um receio de que se repita adose." Além disso, ter o adubo numa época de preços voláteis eelevados das commodities, que acabam arrastando os custos comfertilizantes, é uma maneira de se proteger. "Mesmo não sendonecessária a adubação agora (no caso da safra de verão), oagricultor faz como se fosse um hedge, com receio dos aumentos,uma vez que os preços são dolarizados." Apesar do forte crescimento no trimestre, o setor aindamantém as previsões para o ano de um crescimento de 1 milhão detoneladas na comparação com as entregas registradas em 2007, oucerca de 4 por cento, para 25,6 milhões de toneladas. "O mercado deve crescer em um número parecido com oPIB...", declarou ele, lembrando que "ninguém imagina mais doque isso", porque está havendo uma análise criteriosa decrédito, uma vez que boa parte dos agricultores carrega dívidasde safras passadas. TARIFAS Segundo a Anda, o Brasil está sendo prejudicado pelaimposição de tarifas de exportação por importantes paísesfornecedores de fertilizantes, como a Rússia e a China. "O Brasil não é um comprador habitual da China, éesporádico... De tal forma que não nos afeta diretamente, masnos afeta indiretamente, na medida em que a China nãoexportando para Índia, ela vai buscar uréia na Rússia, ou seja,haverá seguramente um encarecimento das matérias-primas." A Rússia é um dos principais fornecedores de fertilizantespara o Brasil. Para Daher, essa maior demanda no mercado internacional quetem elevado os custos com o produto não justifica construção denovas unidades de adubos no Brasil, pois essa tarifação temcaráter provisório e o tempo para o desenvolvimento de umprojeto de fertilizantes é longo. As importações de fertilizantes pelo Brasil, o quartoconsumidor mundial do produto, somaram 4,148 milhões detoneladas no primeiro trimestre, contra 3,5 milhões no mesmoperíodo do ano passado. Já a produção nacional cresceu 6 porcento, para 2,242 milhões de toneladas no período.

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