Divulgação
Divulgação

No Lions Live, brasileiro conta 'jornada' para ganhar um Leão em Cannes

Icaro Doria, ex-chefe da Wieden+Kennedy no Brasil, hoje é diretor de criação da agência Hill Holiday, nos EUA

Lílian Cunha, especial para o ‘Estadão’

15 de março de 2021 | 11h30

A trajetória da carreira de Icaro Doria - atual diretor de criação da agência Hill Holliday, em Boston - deve parte dos avanços à coragem de procurar trabalho, mandando e-mails a profissionais renomados. É um pouco dessa história, que inclui 43 Leões, que o publicitário paulistano conta em um filme exibido no Lions Live, versão digital para tempos de pandemia do Cannes Lions - Festival Internacional de Criatividade. Veja o filme aqui.  

Foi por conta do primeiro e-mail dessa história que Doria foi parar em Portugal, em 2002. Formado pela ESPM em 2001, o então novato publicitário trabalhava na DPZ, em São Paulo, e queria atuar na Europa. “Soube que um brasileiro, o Alexandre Okada, era presidente de uma agência em Portugal e mandei um e-mail para ele perguntando se tinha vaga para mim. E tinha! Aí eu embarquei e fui.” 

 

Em 2005, Doria estava no aeroporto, esperando seu voo para voltar de Nice, na França, para São Paulo. Achou uma revista e começou a folheá-la. Um dos artigos era sobre criatividade, com uma entrevista com Tony Granger, o então diretor de criação da Saatchi & Saatchi em Nova York.

Naquele ano, o publicitário havia apresentado um trabalho que relacionava bandeira de vários países a dados demográficos. “E, no artigo, Tony Granger dizia que um dos trabalhos que ele mais tinha gostado naquela edição do festival era o meu”, lembra.

Na mesma hora, Doria procurou um cibercafé (na época não havia Wi-Fi, smartphones, etc.) e tentou todas as combinações entre o nome de Tony Granger e o endereço eletrônico da Saatchi & Saatchi. Uma das tentativas deu certo. No e-mail, ele dizia: “Fui eu quem fiz a campanha das bandeiras. Posso trabalhar com o senhor?”. Mais uma vez deu certo, e o publicitário fez as malas para Nova York.

“Tenho consciência de que fui muito privilegiado, tive muita sorte em minha carreira. Mas a maior sorte foi ter quem me inspirasse. Acredito que criatividade vem de inspiração. Em pessoas e em outros trabalhos. A ideia dos outros sempre foi uma grande fonte de inspiração para mim”, afirma.

Hoje, depois de ter sido diretor de criação global da Havas Health & You, da DDB NY e de ter sido sócio-fundador e chefe de criatividade da Wieden+Kennedy São Paulo, o publicitário diz que não está mais no “front” das campanhas.

“Tem muito trabalho administrativo e de gerenciamento de equipe. Mas minha maior função é estabelecer o tipo de ideias que os times de criação em cada país precisam ter para cada cliente: para a conta X, uma coisa mais emocional. Para a outra, algo mais humorado. E para um cliente mais sério, algo mais formal.” 

Isso, entretanto, de modo nenhum tira dele o prazer de trabalhar. “Criação é um processo. E eu já faço isso há quase 23 anos. A experiência ajuda. Não me sinto pressionado a ter ideias o tempo todo. Na verdade, eu tenho uma relação de prazer com as ideias.”

E isso, de alguma forma, transparece em suas campanhas. Foi uma delas, aliás, que conquistou o jogador Kobe Bryant, estrela do basquete americano, morto há pouco mais de um ano. “Eu tinha feito uma campanha para a Nike e o Kobe gostou. Ele me passou um e-mail, dizendo que tinha adorado meu estilo e me convidando para trabalhar nuns projetos dele, dentre eles um que incentivava crianças a praticar esportes”, conta Doria.

Trajetória revisitada

O processo de fazer o filme para ser exibido no Lions Live, aliás, fez o “círculo” de e-mails na carreira do publicitário se completar. “A equipe que trabalhou comigo foi muito profissional. E uma das pessoas que participou, uma inglesa, me mandou um e-mail dizendo que gostou muito de trabalhar comigo e se oferecendo para ser contratada por mim. Disse a ela: claro! Mas com essas barreiras entre países agora por conta da pandemia, fica tudo mais difícil.”

Depois da exibição do filme, que tem seis minutos e meio e foi feito basicamente com fotos e animação e a narração do próprio Doria, muitos e-mails devem lotar seu correio eletrônico. “Responderei todos, com prazer. Como disse, tive muitas pessoas generosas e que me inspiraram em minha vida. Agora também quero ser essa pessoa para os outros.” 

Tudo o que sabemos sobre:
Cannes Lionspublicidade

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.