No mar, à espera de preço melhor

Superpetroleiros lotados apostam na subida da cotação da commodity

Clifford Krauss, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Do Oceano Índico ao Atlântico Sul e ao Golfo do México, superpetroleiros lotados estão esperando ancorados ou lentamente percorrendo itinerários aleatórios, a caminho de lugar nenhum. Esperam o tempo passar, servindo de armazéns flutuantes. Para as empresas e países que pagam por eles, o preço do petróleo caiu tanto que é quase certo o aumento. Alguns países produtores estão tentando forçar o aumento com o uso dos petroleiros para tirar petróleo do mercado, enquanto os negociantes tentam lucrar comprando petróleo barato agora para armazená-lo e vendê-lo posteriormente por um preço maior. O armazenamento de petróleo tornou-se tão popular que a capacidade dos tanques instalados em terra está se esgotando. Há apenas seis meses, empresas que atuam em todas etapas do ramo energético estavam correndo para trazer petróleo para o mercado, enfrentando dificuldades para acompanhar a demanda e preços cada vez mais altos. Agora que a economia global está em declínio e as pessoas estão dirigindo menos, a demanda por petróleo caiu muito - e as mesmas empresas estão adotando medidas impensáveis pouco tempo atrás.Os produtores de petróleo estão fechando as plataformas de extração, as refinarias estão produzindo menos gasolina e o planejamento de investimentos de toda a indústria está em desordem. O problema enfrentado pelas empresas não é apenas o baixo preço do petróleo, mas o fato de esse valor se ter tornado volátil - historicamente, um sinal da instabilidade de um mercado cuja direção é incerta. Entre o Natal e a semana passada, o preço aumentou 40%, mas reverteu essa tendência em igual proporção nos últimos dias.Na semana passada, o preço do barril caiu quase 12% num único dia. As grandes oscilações são uma continuação das tendências de 2008, quando o preço do petróleo passou de pouco menos de US$ 100, em janeiro, para quase US$ 150 em julho, antes de entrar em colapso e cair para menos de US$ 35 no mês passado.

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