No mercado financeiro, 28% apostam que Brasil será campeão da Copa

Para entrar no mercado de balcão de apostas da Copa, aberto somente a pessoas físicas, a 'aplicação' mínima é de R$ 1 mil

Cristina Canas e Olívia Bulla, Agência Estado

12 de junho de 2014 | 08h12

SÃO PAULO - Quando nesta quinta-feira, 12, a bola da Copa do Mundo rolar pela primeira vez no gramado do Itaquerão, em São Paulo, ela vai agitar não só o gramado mas também um "game" que começou bem antes. O tradicional mercado de opções, que negocia o time vencedor do torneio, está aquecido há dias. Os torcedores pagaram entre R$ 80 e R$ 990 pelo ingresso no jogo inaugural, entre Brasil e Croácia, de acordo com os preços oficiais do site da Fifa

Para entrar no mercado de balcão, aberto somente a pessoas físicas, a "aplicação" mínima é de R$ 1 mil. A maioria dos participantes é de operadores do mercado financeiro brasileiro, mas não é raro surgir um estrangeiro nos negócios. Para participar, é preciso fazer um investimento via corretora de valores.

A julgar pelos preços atuais das opções o Brasil deve ser campeão do mundo pela sexta vez. Esse favoritismo, aliás, já foi captado por estudos econométricos de instituições financeiras e por um levantamento especial feito pelo AE Projeções do Broadcast só entre analistas e economistas. 

Conforme informações fornecidas por fontes do mercado financeiro, o preço das opções nesta terça-feira mostrava que o Brasil saiu na frente, com 28% de chance de levar o título mundial em solo nacional, e é seguido por Argentina (20%), Alemanha (17%) e Espanha (14%). 

Já outros campeões mundiais, como Inglaterra e França, correm por fora, sendo que a primeira tem 10% de probabilidade e a segunda, 20%. Entre as possíveis zebras, estão Bélgica, Holanda e Portugal, que ainda não levantaram a taça do mundo, mas que despontam com 10%, cada.   

"O verdadeiro start é dado quando o jogo começa e, então, o mercado começa a ferver", diz um experiente profissional do mercado de câmbio. Um gestor de investimentos acrescenta que à medida que os 32 países classificados forem se despedindo do torneio, as apostas (e os preços) devem mudar. "Neste momento, todos têm probabilidade de vencer. Quando forem definidos os 16 times para as oitavas de final, os preços de muitos serão alterados, e assim por diante", conclui.

O mercado de opções da Copa do Mundo não é coisa para amadores e não foi abalado pelas tensões políticas que se criaram em torno do evento. "A movimentação é a mesma de sempre e deve crescer nos próximos dias", continua o operador. Segundo ele, os volumes negociados por um único investidor podem chegar a centenas de milhares de reais. "Na Copa da África do Sul, um colega de uma corretora estrangeira que opera no Brasil perdeu R$ 250 mil", conta. Em outra história que ficou famosa do mercado, um aplicador perdeu R$ 300 mil, mas acabou liquidando a posição por R$ 100 mil, depois de um acordo com a ponta vencedora.

Já outro operador da mesa de renda fixa avalia que esse mercado de opções foi um abalado em razão de alguns participantes deixarem de honrar suas apostas. "Esse mercado já foi maior, hoje diminuiu um pouco por calotes em outras Copas."

Ainda assim, o mercado de opções "esportivo" não se restringe à Copa do Mundo. É habitual haver apostas, por exemplo, para os torneios de Fórmula 1 e outros campeonatos de futebol. Um dos que agitou bastante as mesas, segundo operadores, foi a Copa Libertadores da América conquistada pelo Corinthians em 2012. 

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