No mercado imobiliário, a vez da periferia

Novos lançamentos de imóveis chegam a bairros mais distantes do centro expandido, como Cidade Ademar, São Miguel Paulista e Penha

EDISON VEIGA, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h09

O mercado imobiliário paulistano está se estendendo cada vez mais para fora do centro expandido. Enquanto na década passada o boom do crescimento foram os bairros centrais que estavam subvalorizados, como Pinheiros e Barra Funda, agora a tendência de crescimento está nos bairros mais afastados, já nas bordas do município. Os atuais líderes de crescimento são Cidade Ademar, na zona sul, e São Miguel Paulista e Penha, na zona leste.

Os dados fazem parte de levantamento da empresa Criactive, especializada em pesquisas na área de construção civil e infraestrutura. Eles mostram que a Penha, na divisa com Guarulhos, viu um crescimento de mais de 1.000% em obras imobiliárias nos últimos quatro anos. Dos novos bairros queridinhos pelo mercado imobiliário, a Penha chama a atenção por já estar rivalizando em números absolutos com os mais tradicionais. Atualmente, 189 mil m² de novos apartamentos estão em obras, menos apenas que Itaim Bibi, Pinheiros e Morumbi.

Mas o maior crescimento ficou com Cidade Ademar, distrito próximo de Diadema e da Represa Billings, na zona sul: 2.600% desde 2009. O bairro passou de praticamente inexistente para o mercado imobiliário para um distrito interessante para a nova classe média que trabalha nas indústrias dos bairros vizinhos.

Algo parecido ocorreu com São Miguel Paulista, na zona leste, onde houve um aumento de 1.171% no período. Lá, conta bastante a proximidade com a Marginal do Tietê, a Avenida Jacu-Pêssego e a rede de trens. No total, 42 dos 96 distritos da cidade tiveram aumento no número de obras neste período, embora a quantidade de m² em construção na capital tenha caído 8,5% de maneira geral, por causa da diminuição da atividade econômica.

Explicação. São muitas as razões que fizeram com que o mercado imobiliário descobrisse essas novas - e periféricas - regiões paulistanas. O principal é o aumento vertiginoso no custo dos terrenos nas regiões nobres, onde lançamentos de dois quartos raramente custam menos de R$ 400 mil. Outra mudança foi o aumento do poder de compra das classes econômicas mais baixas, que agora está passando a ter condições de comprar um apartamento no bairro onde mora.

"O caso da Cidade Ademar, por exemplo, é emblemático: os lançamentos ali atraem, pelo preço, clientes oriundos da região que buscam o conforto de um apartamento novo", explica Leandro Caramel, superintendente de atendimento da Habitcasa - empresa da imobiliária Lopes que comercializa as unidades de um lançamento residencial nesse bairro. Ele acredita que o empreendimento tem bastante potencial para atrair quem trabalha ali perto, já que o transporte público para chegar até a região é precário.

Para a engenheira civil Cristina Della Penna, diretora da Criactive, o boom imobiliário nas regiões periféricas da cidade é consequência do crescimento econômico das classes baixas da população. "Não à toa, observamos um crescimento no uso da tecnologia da alvenaria estrutural. É como se fosse um monte de pecinhas Lego, com redução do custo final e do tempo de construção", afirma ela. "Não quero dizer que o resultado é melhor ou pior, mas sim que se trata de uma solução que dá limitações arquitetônicas, impossibilitando uma grande sacada, por exemplo, mas torna a obra mais barata." De acordo com levantamento da Criactive, o uso dessa técnica reduz em 40% o custo total da obra.

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