No Natal, operadoras miram classes C e D

Vivo aposta em aparelho barato com sistema Mozilla e Claro lança 'banco' pelo celular

Mônica Ciarelli e Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2013 | 02h08

RIO - As ofertas das empresas de telefonia para o Natal estão concentradas no atendimento às necessidades das classes C e D. A Vivo anunciou ontem o início das vendas de dois smartphones "populares" usando um novo sistema operacional da Mozilla. Já a Claro iniciou um piloto, em quatro cidades, do sistema de pagamentos bancários por celular Meu Dinheiro Claro, em parceria com o Bradesco.

No caso da Vivo, o lançamento marca a chegada ao Brasil do sistema operacional para celulares Firefox OS, da Mozilla. O software móvel foi desenvolvido há dois anos pela Telefônica Digital e pela Mozilla, na Espanha. Além de já estar disponível no mercado espanhol, o produto foi lançado na Colômbia e na Venezuela e chegará ao Peru, ao Uruguai e ao México nas próximas semanas.

Por trás da inovação tecnológica está a possibilidade de oferecer smartphones com acesso à banda larga a preços mais baixos.

Segundo executivos da Vivo e da Mozilla, o novo sistema operacional é "extremamente leve" e, por isso, requer hardware (ou seja, o aparelho) menos potente e, portanto, mais barato.

O Alcatel OT Fire, por exemplo, custa nas lojas R$ 199 nos planos pré-pagos. Já o LG Fireweb sai por R$ 449, no mesmo plano. Ambos os celulares foram desenvolvidos especialmente para o Firefox OS. Além da Alcatel - marca usada por uma fabricante chinesa - e da coreana LG, a norte-americana Qualcomm participou do desenvolvimento de chips.

O projeto multinacional pretende oferecer também oportunidades para programadores. Com sistema aberto, o Firefox OS - que chega para concorrer com o Android, do Google, e com o iOS, da Apple - seria um convite para o desenvolvimento de aplicativos.

Serviço bancário. Já a Claro aposta nas classes C e D por outras vias: com o Meu Dinheiro Claro, serviço de transações bancárias por celular, a operadora quer chegar aos brasileiros que não possuem conta em banco. Muitas vezes, essa população está no setor informal da economia e não pode comprovar renda. Isso impede que ela tenha conta em banco, mas não celular pré-pago.

O Meu Dinheiro Claro é administrado pela MPO, joint- venture entre Claro e Bradesco, com participação de 50% para cada empresa. O novo serviço chega para concorrer com a própria Vivo, que lançou em maio seu serviço piloto Zuum - parceria entre Telefônica e MasterCard. A Oi possui um serviço semelhante, o Oi Carteira, com o BB.

O lançamento da Claro e do Bradesco, em formato piloto, chegou por enquanto a Belford Roxo, São João de Meriti e Duque de Caxias, no Rio, e em Goiânia.

Segundo Alexandre Olivari, diretor da Claro, as cidades foram escolhidas porque a operadora controlada pela mexicana América Móvil possui grande participação nesses mercados. Ao mesmo tempo, o porcentual de pessoas sem conta no banco é maior que a média nacional.

O sistema funciona como uma conta pré-paga, que precisa ser aberta numa loja da Claro, mediante apresentação de CPF, RG e comprovante de residência. Em seguida o usuário recebe uma mensagem para finalizar a adesão - o sistema funciona em qualquer celular. Com o aparelho, pode fazer compras em estabelecimentos da rede da Cielo, pagar contas (R$ 1,50 por operação) e fazer saques em caixas do Bradesco (a R$ 5).

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