JULIA LINDNER/ESTADAO
JULIA LINDNER/ESTADAO

No plenário vazio, só dois senadores

Paulo Paim e Ana Amélia têm debate particular

Julia Lindner / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 22h09

Apesar da greve geral ter esvaziado mais o Congresso – já habitualmente vazio às sextas-feiras – os senadores gaúchos Paulo Paim (PT) e Ana Amélia (PP) fizeram sessão de debates “particular” no plenário pela manhã.

Como só os dois estavam presentes, eles se revezaram entre a presidência da Mesa e a tribuna. E, ocupando essas posições opostas, em mais de um momento chegaram a bater boca, em uma situação que beirava o surreal.

Durante seu discurso, Ana Amélia lembrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, em 2013, uma reforma da Previdência. “Lula chamou para o Banco Central ninguém mais, ninguém menos do que Henrique Meirelles. Aquele que serviu Lula é agora ministro do governo Temer”, declarou a parlamentar.

O petista rebateu. “Quando a senhora fala o PT e o governo Lula, é bom lembrar que o seu partido, desde a ditadura até hoje, sempre foi governo e continua sendo governo”, afirmou.

Em outro momento, Paim disse que o PP está à frente do PT na lista dos partidos mais corruptos, conforme o portal transparência. “Eu não gosto deste debate. Mas a senhora provoca e a senhora vai ter de responder”, disse Paim.

A senadora, então, reclamou que estava sendo censurada, pois o senador acidentalmente desligou o seu microfone. “Vossa Excelência me tirou a palavra, me contestou. Deixei Vossa Excelência falar 60 minutos e Vossa Excelência agora até o meu microfone censura.”

Ao final da sessão, os dois se cumprimentaram. “Nós aqui fizemos um debate, que, às vezes, esquenta um pouquinho, mas sempre no alto nível. V. Ex.ª sabe o respeito que eu tenho pela senhora. E sei o respeito que a senhora tem por mim”, declarou Paim.

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