Christian Clavadetscher/Fórum Econômico Mundial
Christian Clavadetscher/Fórum Econômico Mundial

No pós-Davos, a hora da 'entrega' pela equipe de Guedes

Em sua primeira aparição internacional, o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe colheram um apoio 'desconfiado' da elite financeira global

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2019 | 11h00

Caro leitor,

O governo Jair Bolsonaro saiu do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, com um apoio “desconfiado” da elite financeira internacional.

As críticas ao vago e curto discurso de Bolsonaro na abertura do evento  e o cancelamento de pronunciamento do presidente e de uma entrevista coletiva dos ministros Paulo Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) provocaram estragos na comunicação na estreia internacional do novo governo depois das eleições.

Quem esperava ênfase na reforma da Previdência, como estava planejado inicialmente, acabou se frustrando. Por sorte do governo, os ruídos da comitiva presidencial no evento foram superados pela agenda liberal de privatizações e ajuste fiscal prometida pelo ministro da economia, Paulo Guedes.

Estrela da comitiva, o ministro tomou cuidado para não melindrar Bolsonaro (Guedes só falou publicamente depois do discurso de Bolsonaro) e acabou mostrando a força do seu plano econômico ao conseguir evitar que investidores dessem foco à crise provocada  pelo avanço das denúncias contra o filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro.

Como mostrou reportagem dos jornalistas Rolf Kuntz e Jamil Chade, suspeitas envolvendo Flávio Bolsonaro dominaram as conversas nos corredores do Fórum, enquanto o novo governo tentava se apresentar ao mundo e insistir que o País vai lutar contra a corrupção. Bolsonaro foi poupado de uma pressão maior em relação ao caso Flávio Bolsonaro. A blindagem montada para proteger o presidente, durante o encontro, de um constrangimento ainda maior acabou de certa forma funcionando.

Em três entrevistas exclusivas (uma delas ao Estadão/Broadcast), o ministro da Economia buscou consertar a impressão ruim inicial ao prometer uma reforma da Previdência dura, com economia entre R$ 700 bilhões e R$ 1,3 trilhão num período de 10 anos; privatizações de US$ 20 bilhões para zerar o déficit das contas públicas ao final deste ano e menor carga tributária para as empresas . Tudo que os investidores queriam ouvir.

Se Guedes consolidou em Davos seu papel de principal sustentação do governo Bolsonaro, os investidores continuam com muita incerteza em relação ao apoio do Congresso para aprovar as reformas e outras medidas econômicas, como revelou o Estadão em manchete publicada durante o Fórum.

Em Davos, o governo recebeu um voto de confiança escorado apenas pela palavra de Paulo Guedes. Sem detalhes do que o governo vai apresentar, a fase que começa agora é a de cobrança da "entrega" das medidas econômicas.  A equipe de Bolsonaro não poderá demorar muito mais tempo. Já se passaram quase 90 dias desde a eleição e o que se viu nas reuniões de Davos foi apoio, mas também um sentimento enorme de urgência.

 

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