Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

No que dependia de nós, fizemos o que foi proposto, diz Levy

Em carta a jornalistas, ministro critica atuação do governo em relação ao ajuste fiscal e afirma ter feito sua parte

Bernardo Caram, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2015 | 17h46

BRASÍLIA - De saída do governo, o ministro da Fazenda Joaquim Levy enviou nesta sexta-feira, 18, uma mensagem de fim de ano a jornalistas na qual faz uma crítica à atuação do País no esforço fiscal, ao mesmo tempo que afirma ter feito sua parte no ajuste que propôs. Na nota, o ministro não afirma que está deixando o cargo, mas já é dado como certo que ele será substituído pelo atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Ao longo do ano, medidas de aperto fiscal propostas por Levy acabaram modificadas e abrandadas pelo Congresso Nacional. "Em alguma medida, a falta de maior sinalização de disposição mais imediata de esforço fiscal por parte do Estado brasileiro também piorou as expectativas dos agentes econômicos, inibindo decisões de investimento e consumo, com reflexos negativos no nível da atividade econômica e na geração de empregos, que poderão se estender por 2016", disse o ministro.

"Eu e minha equipe fizemos o que foi proposto em janeiro, pelo menos naquilo que dependia de nós", disse o ministro, ponderando que foi possível avançar em parceria com outros órgãos do governo e especialmente com o Congresso. "O tempo saberá mostrar os resultados que se colherão de tudo que foi feito até agora", afirma.

Levy disse ainda que chega ao fim de 2015 preocupado com a situação do País, mas mantém confiança na capacidade de recuperação da economia. "Seria uma injustiça comigo, com minha equipe e com a presidente Dilma Rousseff achar que o País enfrenta uma recessão pelo fato de termos proposto e, em alguma medida, já implementado um ajuste fiscal", disse.

O ministro também afirmou que a votação da meta de superávit primário para 2016 nesta semana traz uma sinalização importante. Ele ponderou que o cumprimento da meta, aprovada sem a permissão sem abatimentos, exigirá novas receitas. De acordo com Levy, isso será mais difícil agora que o governo não conseguiu que as MP 692 e 694, com medidas de ajuste do imposto de renda, fossem votadas este ano.

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