No radar do BIS, os riscos de uma crise financeira

Mercados emergentes que ganharam com o boom financeiro dos últimos anos - por exemplo, elevando a oferta de crédito - estão mais vulneráveis, segundo o relatório trimestral do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês). O que retrata com mais clareza a excessiva liberalidade financeira dos últimos anos é a existência de US$ 2,4 trilhões em títulos soberanos de países europeus, Estados Unidos e Japão que rendem abaixo da inflação.

O Estado de S.Paulo

22 de março de 2015 | 02h05

O Brasil recebeu do BIS dois sinais de alerta para vulnerabilidades: o primeiro em relação ao volume de crédito e o segundo, ao impacto do juro sobre o serviço da dívida. Não basta que o Ministério da Fazenda esteja alerta para o problema nem que o Banco Central reafirme, como fez no Relatório de Estabilidade Financeira, que as instituições brasileiras operam com folga.

O total de empréstimos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) está 11,7 pontos porcentuais acima da média histórica de longo prazo, segundo o BIS. E a elevação do juro básico levou o serviço da dívida a crescer 6,5 pontos acima da média histórica. Ao defender a redução da dívida pública, o ministro Joaquim Levy quer enfrentar o problema. Mas, antes de cair, a relação dívida/PIB deve aumentar. Tampouco o juro básico poderá cair, se a inflação alcançar 8% neste ano.

Os riscos para o Brasil seriam maiores não fosse a decisão de quarta-feira do Fomc (o Copom norte-americano) de adiar o aperto monetário que deverá vir com a alta de juros. Até que a alta venha, será menos difícil de captar recursos.

A análise do BIS ajudou a remover mais um risco, ao deixar de incluir a valorização imobiliária entre os problemas econômicos do País, afastando o temor de bolha imobiliária.

Mas há, no Brasil, o risco do endividamento excessivo - e crescente - de empresas petrolíferas, após a queda das cotações do petróleo, que fez declinar o valor dos ativos que garantem a dívida. De 2006 a 2014, o crescimento do estoque de empréstimos de petrolíferas no País cresceu 25% ao ano. A Petrobrás não é citada, mas está no centro do problema, entre as mais endividadas.

Queda de preço das commodities de energia, metálicas e agrícolas afetam a conta corrente cambial, deficitária em mais de US$ 90 bilhões/ano. Somada à depreciação do real e à estagnação, o ambiente é menos favorável à captação de recursos, de que o Brasil depende para fechar o rombo externo. O dólar valorizado agrava esse quadro.

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