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No restaurante, 2 horas de fila

Mocotó, na zona norte paulistana, quintuplicou oferta de lugares, mas demanda continua maior

Raquel Landim, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

Na Vila Medeiros, zona norte de São Paulo, distante dos locais badalados da capital, um cliente pode esperar mais de duas horas no fim de semana por uma mesa no Mocotó, restaurante de comida nordestina que ganhou fama na cidade.

"O Mocotó é um restaurante democrático, mais inclusivo que exclusivo. Praticamos uma política de preços honesta", conta o chef e proprietário, Rodrigo Oliveira, para explicar o sucesso do local.

Desde que foi inaugurado, o restaurante já ampliou seu tamanho dos iniciais 20 lugares para 100, mas não consegue dar conta da demanda. "Para nós, oferecer mais lugares não significa menos espera. Até hoje, foi o contrário", afirmou.

Oliveira conta que desistiu de novas ampliações, até mesmo para manter a qualidade da comida e do atendimento. Mais lugares agora só se for em um restaurante totalmente novo.

O sucesso do Mocotó é fruto de sua comida diferenciada, mas também do crescimento da economia brasileira, que transformou em um hábito algo que era considerado um "luxo" até pouco tempo: comer fora de casa.

Só em 2010, o setor de bares e restaurantes cresceu 12% no Brasil. Em 2002, os brasileiros gastavam fora de casa 24% do seu orçamento mensal de alimentação. Hoje, esse porcentual chega a 31%.

Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares a Restaurantes (Abrasel), atribui o bom desempenho a dois fenômenos: o aumento da renda da população e a maior participação das mulheres no mercado de trabalho. "O setor está sofrendo positivamente com a demanda. É uma transformação que desafia qualquer serviço", diz.

De acordo com o executivo, ainda há capacidade ociosa no setor, que possui mais estabelecimentos por habitantes que nos Estados Unidos. Ele admite, no entanto, que existe um gargalo nos centros de São Paulo e Rio de Janeiro na hora do almoço.

O problema é que não há perspectiva de solução do problema no curto prazo. Solmucci afirma que os empresários resistem a investir em um novo restaurante, porque os aluguéis estão muito caros e é grande a dificuldade para encontrar mão de obra. "Temos 200 mil vagas em aberto no setor", diz.

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