WILTON JUNIOR/ESTADÃO
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No Rio, desempregados passam madrugada na fila em busca de trabalho

Fila na capital fluminense já chegava a 350 metros no início da tarde desta terça-feira, 30; número de desempregados no País chegou a 13,4 milhões

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 16h36

RIO - A busca por uma oportunidade de trabalho fez desempregados formarem uma longa fila, de dobrar o quarteirão, desde a madrugada desta terça-feira no Maracanã, zona norte do Rio. A ação de cadastro de currículos foi organizada pela ONG católica Gerando Vidas, que faz esse trabalho há 22 anos, segundo o coordenador da entidade, Paulo Vasconcelos. Vasconcelos estimou que a ação desta terça-feira deveria atrair 2 mil pessoas.

Toda terça-feira, o cadastro de currículos é feito na sede do Sinttel-Rio, sindicato dos trabalhadores em telecomunicações. Na ação desta terça-feira, foram oferecidas 970 vagas nas mais diversas atividades. Por volta de meio-dia, a fila tinha cerca de 350 metros. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desocupação ficou em 12,7% no primeiro trimestre, com 13,387 milhões de desempregados em todo o País.

A técnica em enfermagem Juliana Leite da Silva, de 24 anos, entrou na fila por volta das 10 horas. Ela foi demitida em fevereiro, após trabalhar por um ano como atendente numa grande rede de varejo. Formada no curso técnico há cinco anos, Juliana ainda não conseguiu trabalhar para valer na área. A exceção foram dois meses numa prestadora de serviços de “home care”.

Segundo Juliana, a falta de experiência é a maior barreira. “Os hospitais até chamam (para entrevista), mas fiquei por pouco tempo na empresa de home care”, afirmou a técnica em enfermagem, que se disse disposta a aceitar oportunidades em qualquer área, para reequilibrar as contas em casa e podeR pagar por uma faculdade de serviço social.

Na outra ponta da pirâmide etária, o técnico em eletrônica Hélio Cesar Freire, de 63 anos, relata barreiras pelo "excesso de experiência". Com 25 anos de carreira, o técnico já trabalhou com instalação, manutenção e suporte de equipamentos de informática – teve também uma loja de instalação de antenas parabólicas, nos ano 1990.

“A partir dos 50 anos, você entra em descrédito total”, afirmou Freire, que também chegou à fila na zona norte do Rio por volta das 10 horas.

Em outubro do ano passado, Freire e mais 650 funcionários foram demitidos de uma operadora de telemarketing. Por quatro anos, ele trabalhou com atendimento de suporte de informática, orientando os usuários a resolverem problemas por telefone. Cursando duas faculdades, em sistemas de informática e em engenharia de computação, Freire, que mora sozinho e tem três filhas adultas, quer um novo emprego para colocar as contas em ordem e retomar os cursos – um deles é financiado pelo Fies, e o técnico já está com três prestações em atraso.

A Gerando Vidas – que também trabalha com evangelização e apoio a moradores de rua, e garante que não mistura religião com o trabalho voltado para o mercado de trabalho – organiza ações do tipo duas vezes por semana no Rio, oferecendo uma média de 1,3 mil vagas por semana. Segundo Vasconcelos, a procura de desempregados tem sido o dobro do número de vagas oferecidas pelas empresas que procuram a ONG. “De três ou quatro anos para cá, o desemprego explodiu. Ano passado, foi um caos, mas 2019 consegue estar pior”, disse Vasconcelos.

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