No Rio, ElBaradei faz elogios à Coréia do Norte

O diretor da AgênciaInternacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei,elogiou na sexta-feira o diálogo que permitiu um "bomprogresso" no controle do programa norte-coreano de armasnucleares. Pyongyang aceitou um acordo pluripartite pelo qual secompromete a paralisar seu programa de armas nucleares em trocade benefícios políticos e econômicos. "A Coréia do Norte está sendo tratada nas negociações aseis partes, e há um bom progresso ocorrendo por meio dodiálogo, e já conseguimos o fechamento ou a declaração deinstalações nucleares", disse ElBaradei em um seminário sobreenergia nuclear no Rio de Janeiro. Os EUA dizem que ainda é preciso haver mais diálogo para seestabelecer um inventário completo dos programas atômicosmilitares da Coréia do Norte, que testou um artefato nuclear noano passado. Falando de outros países que têm armas nucleares, ElBaradeilamentou que Índia e Paquistão não dêem sinais de aderir aoTratado de Não-Proliferação "em breve", mas acha que é possívelnegociar uma redução global das armas atômicas. Quanto a Israel, ele espera que a questão das armasnucleares seja tratada no âmbito do processo de paz do OrienteMédio. ElBaradei não fez menção ao Irã. O diretor da AIEA visitou na quinta-feira a usinabrasileira de enriquecimento de urânio em Resende e defendeu a"multinacionalização" das instalações de enriquecimento, queteoricamente podem ser usadas para produzir material parabombas atômicas. Ele disse em Resende que não está preocupado com esse tipode ambições no Brasil, cuja Constituição proíbe a pesquisa paraarmas nucleares. Apesar disso, inspetores da AIEA devemmonitorar a usina. Na opinião dele, se vários países compartilhassem dochamado ciclo completo do combustível nuclear, isso evitaria atentação de usar fábricas de enriquecimento para a produção dearmas. "Acredito que isso é algo para ser bastante examinado. NaAmérica Latina, Argentina e Brasil têm a tecnologia e podem serparceiros. Além das garantias adicionais de fornecimento, issoé bom também para a não-proliferação." (Reportagem de Andrei Khalip)

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