André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

No Rio, visão sobre Selic divide analistas em reunião com o Banco Central

No encontro, houve divergência entre os que defendem a manutenção de taxas de juros mais baixas e maior tolerância com a inflação e um grupo que prevê uma política de austeridade mais forte

Francisco Carlos de Assis, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2019 | 15h45

A primeira reunião trimestral de analistas com diretores do Banco Central (BC) na manhã desta segunda-feira, 18, foi marcada pela divisão entre os, por ora, defensores de taxas de juros mais baixas e uma postura mais tolerante com a inflação e aqueles que desejam, pelo contrário, juros mais altos e uma política de austeridade mais forte. As informações são de dois dos participantes do encontro na capital fluminense.

"Na reunião se debateu mais a questão de juros com os economistas com viés que defende que a política monetária teria que ser mais estimulativa porque estão muito decepcionados com a atividade. Outros acham que o BC deveria esperar aprovação da reforma da Previdência", disse a fonte ao Estadão/Broadcast.

De acordo com o interlocutor, os que acreditam que esperar seria a melhor opção que o BC poderia adotar no momento orientam suas sugestões pela preocupação com o desenrolar da inflação de serviços, que está começando a subir, e pela expectativa de melhora da atividade mais à frente, com a reforma da Previdência.

De acordo com o outro participante do encontro, ficou bem clara a divisão entre os analistas. O BC, representado no encontro pelos diretores de Assuntos Internacionais e de Política Econômica, Tiago Couto Berriel, e Carlos Viana de Carvalho, manteve-se, como de praxe, neutro durante a reunião. Os diretores teriam se limitado a apenas repetir o que já se leu no comunicado que se seguiu ao término da reunião do Copom na semana retrasada e na ata do Copom.

"Então, o que deu para sentir na reunião é que o balanço de riscos do BC continua assimétrico e que os economistas estão divididos nesta questão de juros", disse o interlocutor. Debateu-se também durante a reunião o comportamento do mercado de trabalho cuja lentidão da recuperação vai demandar mais tempo para o desemprego cair. Por outro lado, os analistas mais conservadores ponderam que a reforma trabalhista vai segurar salários, o que poder ajudar a inflação.

O cenário externo parece ter ficado mais benigno, na visão de todos, para os emergentes, no curto prazo, com a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de dar uma pausa na sua política de aumento de juro.

As reuniões trimestrais do BC com os analistas servem para a autoridade monetária captar as percepções do mercado financeiro em relação à inflação e atividade doméstica e cenário econômico internacional. As informações e percepções captadas nestes encontros são usadas pelo BC para auxiliar na confecção de Relatório Trimestral de Inflação (RTI). A próxima edição do documento está prevista para ser divulgada no dia 28 de março.

Na terça-feira, 19, Viana e Berriel se reunirão com os analistas do mercado financeiro em São Paulo.

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