Taba Benedicto/Estadão - 29/4/2020
Taba Benedicto/Estadão - 29/4/2020

No sétimo mês seguido de alta, indústria cresce 1,2% em novembro

Produção industrial acumula avanço de 40,7% de maio a novembro e está 2,6% acima do nível pré-pandemia, em fevereiro

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

08 de janeiro de 2021 | 09h32

RIO - Passado o pior momento da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, a indústria brasileira engatou uma sequência de sete meses de recuperação. A produção avançou 1,2% em novembro ante outubro de 2020, superando em 2,6% o patamar de fevereiro, no pré-pandemia.

Das 26 atividades investigadas, 17 já se recuperaram das perdas, operando em nível igual ou superior ao pré-crise sanitária, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados nesta sexta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"Apesar do bom desempenho de maio para cá, essas altas não vão ser suficientes para anular a queda do ano, que estimamos em 4,8%, mas já começa pavimentar o crescimento da indústria em 2021", diz o economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini, que prevê um avanço de 11,70% na produção industrial em 2021.

A retomada verificada até novembro de 2020 foi impulsionada pelas medidas emergenciais adotadas pelo governo no enfrentamento da crise provocada pela pandemia de covid-19, avaliou André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

“A gente tem uma melhora do comportamento da indústria ao longo de 2020, face a uma perda importante observada em função da necessidade de isolamento social, mas ainda tem um espaço importante a ser recuperado”, disse Macedo.

O setor industrial acumulou um crescimento de 40,7% em sete meses, resultado mais do que suficiente para recuperar a perda de 27,1% registrada em março e abril, na série com ajuste sazonal. No entanto, a indústria ainda opera 13,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

“Ela está recuperando as perdas que teve nesse período mais recente, alimentada muito pelas medidas emergenciais do governo no enfrentamento da pandemia: auxílio emergencial, liberação de fundo de garantia (FGTS), programa de manutenção de emprego”, enumerou Macedo.

Segundo o pesquisador do IBGE, a pandemia também fez as famílias deslocarem recursos que seriam destinados ao consumo de serviços para a compra de bens industriais, o que ajudou na retomada de alguns segmentos, como a fabricação de eletrodomésticos e de material de construção. Ele pondera que ainda não é possível mensurar o impacto do fim do pagamento do auxílio emergencial sobre a indústria e a economia como um todo em 2021, em meio a um mercado de trabalho “ainda longe de mostrar qualquer grau de melhora”.

“Temos 14 milhões de pessoas fora do mercado de trabalho. Isso deve ser levado em conta para entender o comportamento da indústria e da economia como um todo em 2021”, concluiu.

Para Alex Agostini, da Austin Rating, o fim dos estímulos fiscais que ajudaram a sustentar a demanda em 2020 pode influenciar a produção industrial, mas acredita que o impacto será amenizado pelas perspectivas de melhora na atividade econômica como um todo. A Austin Rating projeta recuo de 4,20% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, seguido de crescimento de 3,30% em 2021. Em 2022, a perspectiva é de avanço de 3,0%. / COLABOROU GREGORY PRUDENCIANO

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