No setor de serviços, o reflexo da estagnação

Entre setembro de 2013 e setembro de 2014, a receita nominal do setor de serviços cresceu 6,4%, bem mais do que havia crescido em julho e agosto (4,6% e 4,5%, respectivamente), em porcentual inferior ao da inflação acumulada em 12 meses (6,75%, pelo IPCA, e mais de 8%, medida só pelos serviços). A melhora, portanto, foi pouco significativa do ponto de vista da recuperação da atividade econômica. Como notou o especialista Roberto Saldanha, do IBGE, o crescimento "não foi suficiente para recuperar o resultado do trimestre", que registrou alta de apenas 5,1% em relação ao terceiro trimestre de 2013.

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2014 | 02h04

Os itens com maior peso são os serviços profissionais, administrativos e complementares (cuja receita aumentou 11,1% em setembro) e os serviços de transportes, auxiliares de transportes e correios (com avanço mensal de 6,5%). Mas o crescimento nominal desses subsetores em 12 meses foi de 8% e 8,1%, indicando estagnação.

Também foi fraco o comportamento dos serviços de comunicação e informação, que puxaram para baixo o indicador geral anual. Os serviços prestados às famílias evoluíram pouco porque também evolui pouco a renda real dos trabalhadores, que perdem poder de compra.

O setor de serviços pesa cerca de dois terços na formação do PIB e, portanto, sua evolução é relevante. Mas, acima de tudo, reflete o comportamento da indústria, do comércio e das atividades do agronegócio.

Portanto, se a indústria está em recessão e o varejo está estagnado, nada há de estranho em que os serviços apresentem uma evolução medíocre. O transporte terrestre, por exemplo, reflete o deslocamento de mercadorias por rodovias e apresenta indicadores anuais insatisfatórios, com crescimento nominal de apenas 4,9%, na comparação entre setembro de 2013 e setembro de 2014, e de 5,9%, nos últimos 12 meses.

A evolução do setor de serviços varia muito em termos geográficos. Ceará, Tocantins, Maranhão, Amapá, Pará e Paraíba despontam pelo crescimento superior à média e só inferior ao do Distrito Federal, onde o avanço anual superou 20%.

O maior problema está no impacto do setor sobre a contratação de mão de obra. Os serviços têm sido uma tábua de salvação para trabalhadores atingidos pelo fechamento de vagas em outras áreas. Em muitos casos, os atingidos pelos cortes abrem empresas de serviços e se sujeitam a uma competição ferrenha.

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