No setor de serviços, um retrato da crise geral

A Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) relativa a agosto, divulgada ontem pelo IBGE, é reveladora das dificuldades por que passa a economia brasileira. Em termos nominais, houve crescimento de 4,5% na comparação entre agosto de 2013 e agosto de 2014. Em termos reais, porém, o faturamento das atividades de serviços pesquisadas caiu em relação a agosto do ano passado, confirmando as pesquisas anteriores, que registraram altas nominais inferiores à inflação. Como os serviços refletem o que ocorre na indústria e no comércio, nada há na PMS que justifique o otimismo com a economia que os governantes buscam instilar na população às vésperas do segundo turno das eleições.

O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2014 | 02h05

O item de maior peso - serviços profissionais, administrativos e complementares, que respondem por 35,6% do setor - cresceu 7,9% na comparação com agosto de 2013, por causa do subitem serviços administrativos e complementares, que inclui telemarketing, educação, limpeza, segurança, cadastro, cobranças, aluguel de veículos e máquinas. Em geral, são serviços prestados sob a forma de contratos de longo prazo, que não podem ser bruscamente interrompidos.

O segundo item mais pesado - transportes, serviços auxiliares dos transportes e correios (22,2%) - avançou apenas 3,2%, afetado pelo mau comportamento do transporte terrestre, com crescimento de apenas 0,8%. Isso se deveu ao transporte de cargas industriais, em que houve queda de preços em razão da baixa atividade das indústrias.

Os serviços de informação e comunicação cresceram apenas 1,7%, enquanto os serviços prestados às famílias registraram alta nominal de 9,7%, puxados por bares, restaurantes, comida pronta, hotéis e albergues, entre outros itens.

Com a inflação de serviços na casa dos 8,5% ao ano, houve declínio real do faturamento das atividades pesquisadas, o que evidencia a recessão do setor terciário. Chega a ser surpreendente que, apesar da queda real das receitas do setor de serviços, sejam pequenos os efeitos negativos sobre o emprego e o salário real nessas atividades.

Uma explicação poderia ser encontrada no fato de que, em plena campanha eleitoral e de aumento expressivo de gastos públicos, as atividades de serviços conseguiram preservar sua força de trabalho. Mais difícil será manter o volume de receitas quando já não estiverem presentes os clientes cuja atuação foi decisiva para sustentar o faturamento do setor nos últimos meses.

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