Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Quase 100% das vagas criadas no setor privado foram informais, aponta IBGE

Desde o trimestre encerrado em abril, foram geradas 17 mil vagas com carteira assinada no setor privado em todo o País, considerado estatisticamente não significativo pelo IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2017 | 12h31

RIO - O número de vagas formais geradas pelo setor privado em 2017 até outubro é tão baixo que foi considerado estatisticamente irrelevante pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na entrevista coletiva sobre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) nesta quinta-feira, o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo, calculou que 75,5% dos 2,3 milhões de postos de trabalho, ou cerca de 1,743 milhão de vagas, foram na informalidade.

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Desde o trimestre encerrado em abril, quando o mercado de trabalho começou a melhorar, foram geradas apenas 17 mil vagas com carteira assinada no setor privado, o que foi considerado estatisticamente não significativo pelo IBGE. "No setor privado, praticamente 100% das vagas geradas foram informais. O restante foi serviço público", ressaltou Azeredo. Os demais postos de trabalho criados foram: 721 mil sem carteira assinada no setor privado; 676 mil por conta própria; 187 mil empregadores; 159 mil no serviço doméstico; e 511 mil no setor público.

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"Todas as vezes que você tem empregador aumentando junto com trabalhador por conta própria, pode ter certeza que é informalidade. Se o empregador não aumenta com a carteira assinada, é aumento de informalidade", alertou Azeredo. "É uma proxy da informalidade, porque tem uma grande chance de boa parte desses trabalhadores serem informais [sem carteira no setor privado, serviço doméstico, empregador e trabalhador por conta própria]", disse.

Desde o trimestre encerrado em abril, o contingente de desempregados encolheu em 1,308 milhão de pessoas. "[Com a geração de vagas e a queda no total de desocupados,] o ano de 2017 está sendo atípico em relação ao que vinha ocorrendo", avaliou Azeredo.

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Segundo o coordenador da pesquisa, a crise econômica e o cenário político conturbado inibem o processo de investir e empreender, tendo como consequência o aumento da informalidade.

"Você tem uma crise econômica, tem um cenário político conturbado, que de certa forma inibem o processo de investir e empreender, e, consequentemente, tem um aumento da informalidade. As pessoas estão entrando no mercado de trabalho através dos setores de alojamento, alimentação, comércio, construção de baixa qualidade", lembrou o pesquisador. "Acredita-se que esse movimento informal aumentando a massa de rendimento possa movimentar o mercado e possibilitar a criação de postos de trabalho formais", completou Azeredo.

O IBGE ressaltou que o quadro atual do mercado de trabalho é de alta na ocupação e baixa na desocupação. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, porém, a população desempregada continua aumentando. "O que muda é a ocupação, que já passou a apresentar dados positivos", disse Azeredo.

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