No Sudeste, 52,4% do consumo da nova classe média

População desse estrato social deve gastar este ano R$ 630,4 bilhões com alimentação, recreação, transporte e moradia

Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo,

13 de novembro de 2013 | 16h17

SÃO PAULO - Mais da metade do potencial de consumo da nova classe média está concentrada na Região Sudeste. Neste ano, a população desse estrato social que vive nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo deve gastar R$ 630,4 bilhões ou 52,4% do desembolso com alimentação, recreação, transporte e moradia, entre outras despesas básicas, de toda a nova classe média brasileira (R$ 1,204 trilhão).

Os cálculos são da consultoria IPC Marketing e foram feitos com base nas contas nacionais e da estrutura de gastos dos brasileiros medida pelo IBGE. Os dados foram cruzados com informações paralelas, de outras fontes de pesquisa. De acordo com o estudo, a nova classe média inclui as camadas B2 e C1.

"O consumo da nova classe média brasileira que vive no Sudeste cresceu nos últimos cinco anos mais que a média da nova classe média do País", afirma Marcos Pazzini, diretor do IPC Marketing e responsável pelo estudo. Entre 2008 e 2013, o consumo da nova classe média que vive no Sudeste deu um salto: aumentou 76,4%. Enquanto isso, os gastos da nova classe média no País cresceram 74%.

Esse resultado reflete o processo de migração social ocorrido nos últimos anos e que foi mais intenso no Sudeste, diz o especialista. "A classe média recebeu cada vez mais gente da base da pirâmide, e isso fez com que essa classe tivesse uma proporção de lares e de consumo significativo. A classe média tem sido a vedete do consumo."

Pazzini ressalta também que a nova classe média do Sudeste se destaca dentro da própria região e foi o estrato social que mais ampliou o consumo nos últimos cinco anos. Entre 2008 e 2013, o consumo das classes mais abastadas, que inclui os estratos A1, A2 e B1, por exemplo, aumentou 66,4%. Já o desembolso dos mais pobres (C2, D e E) cresceu 40,2% no período.

"No Sudeste, a classe média é a mais forte entre as demais", afirma o presidente do instituto de pesquisas Data Popular, Renato Meirelles. O especialista explica que pesquisas apontam que a nova classe média do Sudeste é mais qualificada, escolarizada e esclarecida em relação à classe média do País.

Foi exatamente por causa do maior nível de exigência dessa população que eclodiram, inicialmente nas ruas de São Paulo e do Rio de Janeiro, os protestos em junho deste ano, observa Meirelles. "A população que vive no Sudeste percebeu a perda de qualidade dos serviços de transporte, saúde e educação e foi para as ruas protestar", lembra ele. Na sequência de São Paulo e do Rio, a nova classe média desencadeou manifestações em outras cidades do País.

Transporte. Não foi sem motivos que o estopim do movimento de protesto ocorreu por causa do aumento da tarifa de ônibus no Sudeste. O gasto da nova classe média da região com transporte, que envolve gasolina e despesas com transporte público, representa 8,5% do orçamento dessas famílias. Essa fatia é 0,3 ponto porcentual maior do que o peso dessa despesa nos domicílios de classe média do País.

A diferença pode parecer pequena, mas não é. Neste ano, o gasto estimado com transporte para a classe média do Sudeste é de R$ 23,863 bilhões ou 64% do desembolso com esse serviço feito pela classe média do País, aponta a IPC Marketing.

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