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No turismo, preocupação

Reflexos da crise podem chegar em 15 ou 20 dias

Vera Dantas, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

O cenário de turbulência no mercado financeiro e a alta do dólar frente ao real preocupam as operadoras de turismo e agências de viagem . Mas, por enquanto, não se fala em queda de movimento. Os reflexos da crise, se ela perdurar, dizem os empresários do setor, só devem ser percebidos em 15 ou 20 dias. Mesmo assim a perspectiva não é pessimista.''''Quando há uma agitação como essa no mercado, a maioria fica na expectativa sobre os desdobramentos dos fatos. É prematuro falar em queda de vendas'''', diz o diretor de Assuntos Internacionais da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), Leonel Rossi Junior. Uma alta de 15% a 20% do dólar do ponto de vista comercial, observa, poderá ser benéfica para o setor. ''''Um dólar a R$ 2,30 é razoável e servirá até para os agentes equilibrarem os negócios.''''Ele admite que o volume de vendas de pacotes internacionais subiu pelo menos 10% em relação ao ano passado com a moeda americana cotada a menos de R$ 2. ''''Mas, mesmo vendendo mais, não compensamos os custos operacionais, que aumentaram.'''' Para Rossi, um aumento de até 20% da cotação do dólar não afetaria as vendas de pacotes internacionais, melhoraria os ganhos do setor e também seria benéfico para o turismo que vem do exterior. ''''Com a moeda americana valorizada, as viagens para o estrangeiro que vem fazer turismo no Brasil ficariam mais baratas'''', diz.A avaliação do presidente da operadora CVC, Valter Patriani, é semelhante. ''''Podemos ter uma cotação do dólar de até R$ 2,20 sem problemas, porque o mercado de viagens internacionais está aquecido. Mesmo com o dólar mais alto, as viagens para o exterior vão permanecer atrativas,'''' acredita.No acumulado do ano as vendas da CVC de pacotes para o exterior - Europa, Estados Unidos e navios - estão 10% acima do mesmo período no ano passado. Patriani diz que notou nos últimos dois dias um pequeno aumento no movimento. ''''Talvez quem estava já programado para viajar ao exterior resolveu antecipar a compra do pacote com receio de um aumento maior do dólar.''''As viagens nacionais estão estabilizadas, de acordo com a CVC. ''''Com a crise do setor aéreo tivemos queda e agora notamos uma retomada. Esse quadro deixa as vendas iguais às do ano passado'''', diz.A operadora de turismo Flot não teve cancelamentos de propostas de viagens para Europa e Estados Unidos durante a semana. ''''Estamos atentos. Mas ainda é um pouco prematuro prever quanto poderemos ser afetados ou não pela turbulência do mercado financeiro'''', afirma o diretor da empresa, Pedro Moreira. ''''O que se vê mais esses dias são agências ou clientes procurando fazer acertos com a melhor cotação do dólar.''''Até esse momento, diz, as vendas internacionais, com financiamentos de até 10 vezes sem juros, estavam indo de vento em popa, com crescimento de 20% ante igual período de 2006.A Nascimento Turismo, especializada em pacotes internacionais, teve queda de 30% no movimento na primeira quinzena do mês. ''''O acidente da TAM teve reflexo. Mas agora estamos começando a vender pacotes de fim de ano. Daqui para frente não dá para prever'''', diz o gerente de Vendas da Nascimento, Cleiton Feijó.

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