coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

No último Copom antes da eleição, juro cai 0,5 ponto

Às vésperas da eleição, o Comitê de Política Monetária (Copom) resolveu surpreender o mercado e manteve o ritmo de queda dos juros básicos da economia (Selic). Numa decisão unânime e sem viés - ou seja, a taxa ficará neste patamar até a próxima reunião do Comitê -, nesta quarta-feira, os dirigentes do Banco Central (BC), que compõem o Comitê, decidiram reduzir a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 14,25% ao ano. Esta foi a primeira vez, depois de vários encontros, que o resultado do Copom não confirma a aposta majoritária dos economistas, que apontavam queda de 0,25 ponto.A reunião também foi marcada pela mudança no texto que explica a decisão dos dirigentes. No documento, eles afirmam que ?avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu por unanimidade reduzir a taxa Selic para 14,25% ao ano, sem viés?. Foi a 10ª redução consecutiva dos juros, iniciada em setembro de 2005, quando a taxa recuou de 19,75% para 19,50%.De lá pra cá, a Selic caiu 5,5 ponto porcentual, num dos mais longos ciclos de queda desde a criação do Comitê. Em 1999, houve dez quedas seguidas, mas na ocasião houve algumas reuniões extraordinárias. A taxa de 14,25% é a menor desde a criação do Copom em junho de 1996. Apesar disso, o Brasil continua na liderança dos maiores juros reais (Selic menos inflação projetada para os próximos 12 meses) do mundo, o que desestimula investimento na produção e incentiva aplicações no mercado financeiro. Segundo levantamento da consultoria UPTrend, a taxa real brasileira, com o corte de hoje, caiu para 9,4% ao ano - quase o dobro do segundo lugar, a Turquia, com 5,1%.Na avaliação do economista da Modal Asset, Alexandre Póvoa, o resultado do Copom foi uma surpresa positiva e indica que o BC está interpretando a queda da inflação como estrutural, não conjuntural.O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega afirma que a situação melhorou muito da última reunião para cá, o que permitia uma redução de um ponto porcentual. Segundo ele, os riscos inflacionários nos Estados Unidos diminuíram, assim como no mercado interno. A próxima reunião do Copom será nos dias 17 e 18 de outubro.

Agencia Estado,

30 de agosto de 2006 | 20h00

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.