No último trimestre de 2008, contração no crédito foi recorde

Os bancos em todo o mundo cortaram empréstimos, financiamentos e investimentos na ordem de US$ 3,2 trilhões. Essa foi a maior redução já registrada no sistema financeiro moderno, segundo dados publicados ontem pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS). Os números se referem ao último trimestre de 2008. Só os empréstimos e créditos para mercados emergentes caíram em US$ 282 bilhões, um recuo recorde de 10%. No último trimestre de 2008, a redução de créditos chegou a seu ponto máximo, com um corte de 4% em relação ao trimestre anterior. Em 2007, expansão havia sido de 22%. A fuga de capitais dos bancos comerciais bateu recordes e apenas os BCs retiraram suas reservas dessas instituições no valor de US$ 137 bilhões. No que se refere aos mercados emergentes, a maior "seca" de créditos ocorreu na Ásia, com uma redução de US$ 159 bilhões. Bancos reduziram suas exposições aos mercados emergentes, principalmente em papéis de curto prazo. A exposição foi reduzida em US$ 268 bilhões, dos quais US$ 155 bilhões ocorreram no corte de empréstimos para a Ásia. A queda só não foi maior porque muitos investidores de países emergentes repatriaram recursos que estavam depositados nos mercados maduros. No total, esse movimento trouxe de volta US$ 194 bilhões aos emergentes. Exportadores de petróleo na Nigéria, Líbia e Rússia foram alguns dos que repatriaram seus depósitos. O que surpreende o BIS é que a situação dos bancos locais nos mercados emergentes se manteve estável durante a crise. Esses bancos teriam até conseguido uma expansão de seus negócios em países durante a crise. Com a redução de US$ 3,2 trilhões, as atividades entre os bancos chegaram a US$ 25 trilhões no final de 2008. A maior queda foi registrada na Europa, com uma retração principalmente das atividades dos bancos alemães, suíços e britânicos. Diante de pressão por recursos, empréstimos entre bancos também foram reduzidos a taxas recordes. No total, US$ 953 bilhões simplesmente deixaram de circular entre outubro e dezembro, principalmente na Europa. A crise também mudou o mapa dos fluxos financeiros no mundo.

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