No varejo, diminuem as vendas e as dívidas

Os números mais recentes da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), relativos ao período agosto/outubro, reforçam a percepção de que a queda do ritmo de atividade no varejo foi tão forte que uma mudança, para melhor, dependerá de os consumidores aumentarem a disposição de comprar a crédito.

O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2014 | 02h03

Em agosto, segundo a Fecomercio, as vendas a varejo no Estado caíram 9,9% em relação a agosto de 2013. Com base em dados da Secretaria da Fazenda, a queda em relação a igual período de 2013 passou de 1,2%, em julho, para 2,4%, em agosto. Foi o sexto mês consecutivo de recuo de vendas, afetando principalmente os ramos de bens duráveis. O faturamento das lojas de eletrodomésticos e de eletroeletrônicos caiu 33,9% e o das concessionárias de veículos, 25,7%, na comparação com agosto de 2013, mas o recuo também foi expressivo em materiais de construção, autopeças e acessórios, vestuário, tecidos e calçados.

Como apontavam os números do IBGE, o segmento de supermercados caiu 1% e, com seu alto peso relativo, afetou o conjunto da atividade.

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), também da Fecomercio, ajuda a explicar o recuo das vendas: a proporção de famílias endividadas caiu 2,5 pontos porcentuais, de 47,8%, em setembro, para 45,3%, em outubro. Diminuiu o endividamento tanto dos que ganham menos de 10 salários mínimos como dos que ganham mais do que esse valor. "O consumidor está cada vez mais racional", notou o economista da entidade, Fabio Pina.

Também em outubro, segundo a ACSP, a média diária de consultas para compras financiadas cresceu apenas 0,6% em relação a outubro de 2013. Na mesma base de comparação, o volume de financiamentos ao consumidor aumentou 5,2% - isto é, descontada a inflação, houve queda real de 1,5 ponto porcentual. Quedas de vendas de cerca de 20% foram registradas em segmentos como móveis e malas. Uma das exceções foram as farmácias. "A população está envelhecendo e consumindo mais remédios", disse Emilio Alfieri, economista da ACSP.

Menos endividamento (com a exceção dos financiamentos imobiliários) e menos inadimplência significam que a vida financeira dos consumidores está mais saudável, facilitando a volta às compras. Mas, enquanto isso não ocorre, muitos varejistas ficarão sufocados.

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