Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

No WhatsApp, a ordem é reforçar a greve

Em conversas no aplicativo, a ordem é manter a paralisação por, pelo menos, até terça-feira

Renée Pereira, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2018 | 15h28

Momentos após o pronunciamento do presidente da República, Michel Temer, atendendo as reivindicações dos caminhoneiros, as lideranças inflamavam os motoristas a continuarem parados. Pelo WhatsApp, a ordem que circulava nos grupos era a de manter os protestos. Frases como ‘Não vamos sair’, ‘É guerra’, ‘Não quero mais saber de imposto, quero todo o governo fora’ e ‘Não podemos parar, eles viram a força que temos’ dão noção do clima entre os caminhoneiros e que o movimento ainda pode durar mais tempo.

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Em áudios, algumas lideranças afirmavam que as duas principais reivindicações não haviam sido atendidas. Eles se referem a isenção de PIS/Cofins para os combustíveis e da votação do projeto de lei 121, que estabelece política de preços mínimos para os fretes rodoviários. “Vamos aguardar a votação”, dizia um deles. Nas mensagens, movimentos estaduais alertavam para não “arredarem o pé da estrada”. 

Durante à tarde, antes do pronunciamento de Temer, os caminhoneiros tentavam organizar novas paralisações a partir de hoje, às 8 horas. Num vídeo que circulava nos grupos, representantes chamavam, além de caminhoneiros, veículos de passeio para parar as BRs. Uma manifestação em pontos estratégicos das principais capitais também estava sendo organizada.

Com mensagens nacionalistas, os grupos viraram um instrumento para evitar que os participantes se rendam ao cansaço e aos apelos do governo. Se uma frente começa a passar por dificuldades, como falta de água e comida, mensagens são disparadas para que outros manifestantes entrem em ação e ajudem os companheiros.

Esfera política. Pelo tom das conversas, as reivindicações saíram do campo econômico e entraram na esfera política. Depois da dimensão que a greve tomou nos últimos dias, os caminhoneiros passaram a acreditar que podem mudar o rumo do País. Cada um tem uma tese diferente, expressa nas mensagens de WhatsApp. Alguns acreditam que se conseguirem manter a paralisação por mais tempo, o governo atual será obrigado a renunciar; outros vão além: querem derrubar os Três Poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo).

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A maioria apoia a intervenção militar. Isso acabou criando uma situação inusitada com o Exército. Alguns vídeos mostram a atuação dos soldados acionados para liberar as estradas. Eles foram recepcionados com palmas e continência pelos caminhoneiros.

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As fake news também são fartas nos grupos. No sábado, circulavam vídeos com informações de que o governo cortaria energia elétrica de todo o País se a greve não chegasse ao fim ou de supostos áudios de integrantes do governo criticando a condução da greve. Também ganhavam simpatia dos grupos teses sobre uma possível intervenção militar. Numa delas, eles afirmavam que a Constituição Federal dava prazo de 7 dias e 6 horas de paralisação para que o Exército assumisse o poder.

Além das questões políticas, os participantes dos grupos também faziam críticas ferrenhas à imprensa e negavam que estavam interrompendo a passagem de caminhões para abastecer serviços essenciais. Para provar, alguns vídeos com motoristas carregados com oxigênio e outros produtos foram gravados dizendo que tudo estava tranquilo e que não tiveram problemas para circular pelas estradas. “Somos guerreiros e juntos ganharemos essa peleia”, exaltava um deles.

No fim da noite, a tentativa era de incluir na paralisação os caminhoneiros argentinos e uruguaios. “Vamos parar tudo.”

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