Economia comportamental leva o Nobel

Norte-americano Richard H. Thaler diz que ‘para fazer uma boa análise em economia deve-se ter em mente que as pessoas são humanas’

Binyamin Appelbaum* - The New York Times

WASHINGTON – Richard H. Thaler recebeu o Prêmio Nobel de Economia pelas suas contribuições no campo da economia comportamental.

O professor Thaler, nascido em 1945 em East Orange, New Jersey (EUA), trabalha na Faculdade de Administração da Universidade Booth de Chicago. Segundo o comitê do Nobel ao anunciar o prêmio em Estocolmo, Thaler é pioneiro na aplicação da psicologia ao comportamento em economia e em explicar como as pessoas tomam decisões econômicas, às vezes, rejeitando a racionalidade.

US$ 1 milhão. ‘Tentarei gastar o prêmio da forma mais irracional possível’, diz Thaler. Foto: EFE/TANNEN MAURY

Sua pesquisa, disse o comitê, levou o campo comportamental em economia, de um papel secundário para corrente principal da pesquisa acadêmica e mostrou que o fator tinha importantes implicações para a política econômica.

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Thaler disse nesta segunda-feira, 9, que a premissa básica de suas teorias é a seguinte: “Para fazer uma boa análise em economia deve-se ter em mente que as pessoas são humanas”.

Quando lhe perguntaram como gastaria o dinheiro (cerca de US$ 1,1 milhão) do prêmio, respondeu: “Esta é uma pergunta bem divertida”. E acrescentou: “Tentarei gastá-lo da forma mais irracional possível.”

O prêmio de Economia foi criado em 1968 em memória de Alfred Nobel e é concedido pela Academia Real de Ciências da Suécia.

As linhas principais de estudos econômicos em grande parte do século 20 basearam-se na hipótese simplificada de que as pessoas se comportavam racionalmente. Os economistas entendiam que isso não era literalmente real, mas argumentaram que estava bem próximo disso.

O professor Thaler desempenhou um papel central ao se distanciar desse pressuposto. Ele não só defendeu que os seres humanos são irracionais, o que é algo óbvio, mas também de pouca ajuda. Em vez disso, ele mostrou que as pessoas saem da racionalidade de maneiras coerentes, portanto seu comportamento ainda pode ser antecipado.

O comitê do Nobel descreveu como a teoria de Thaler sobre “contabilidade mental” explica de que forma as pessoas simplificam as decisões financeiras, concentrando-se no impacto limitado de cada decisão e não no seu efeito mais geral. Ele também mostrou como a aversão a uma perda pode explicar por que as pessoas valorizam muito mais o mesmo item quando são proprietárias do que quando não o são, fenômeno chamado efeito de doação.

As teorias de Thaler explicam ainda porque as resoluções de ano-novo podem ser difíceis de se manter e analisam a tensão entre o planejamento de longo prazo e a ação no curto prazo.

Tentação. Sucumbir à tentação de curto prazo é uma razão importante pela qual muitas pessoas fracassam em seus planos de poupar para quando forem idosas, ou fazer escolhas de estilo de vida mais saudáveis, de acordo com a pesquisa de Thaler. Ele também demonstrou o quanto mudanças aparentemente pequenas na forma como os sistemas funcionam, ou como um “empurrãozinho” (“nudging”) - termo que ele inventou - pode ajudar as pessoas a exercer melhor autocontrole quando, por exemplo, estão economizando para a aposentadoria.

Conheça todos os vencedores do Prêmio Nobel de Economia

1 | 52 Prêmio Nobel de Economia de 2020 foi atribuído aos norte-americanos Paul Milgrom (direita), de 72 anos, e Robert Wilson, 83 Foto: EFE/EPA/ANDREW BRODHEAD
2 | 52 Michael Kremer, Esther Duflo e Abhijit Banerjee são os vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019. Eles foram premiados pela abordagem experimental em aliviar a pobreza no mundo. Foto: Christine Olsson/TT News Agency via REUTERS
3 | 52 Os americanos William D. Nordhaus e Paul M. Romer ganharam o Prêmio Nobel de Economia por abordarem métodos para favorecer o crescimento sustentável. Em seus estudos, eles integraram mudança climática e inovação tecnológica com o crescimento econômico. Foto: Reuters
4 | 52 O americano Richard H. Thaler, de 72 anos, recebeu o Prêmio Nobel de Economia por suas pesquisas a respeito da economia comportamental. Em suas pesquisas, Thaler mostrou como algumas características humanas, como a racionalidade limitada, suas preferências sociais e até mesmo a falta de autocontrole impactam suas finanças pessoais e, por consequência, orientam um determinado comportamento do mercado.  Foto: Carsten Rehder/EFE
5 | 52 O britânico Oliver Hart e o finlandês Bengt Holmstrom foram os premiados com o Nobel de Ciências Econômicas de 2016, pelos estudos sobre a "teoria dos contratos". Foto: EFE
6 | 52 O escocês Angus Deaton foi premiado por seus estudos que relacionam consumo, pobreza e bem-estar. Foto: Divulgação
7 | 52 O francês Jean Tirole, então com 61 anos, foi escolhido pela academia por seu estudo sobre o poder de mercado das empresas. Foto: Fred Lancelot/Reuters
8 | 52 Os norte-americanos Robert Shiller, de 67 anos, Lars Peter Hansen, de 61, e Eugene Fama, de 74, foram premiados pela análise empírica do preço dos ativos. Foto: A. Mahmoud/Nobelprize.org
9 | 52 Alvin Roth, de 60 anos, e Lloyd Shapley, de 89 anos, ambos dos Estados Unidos, ficaram com o prêmio por pesquisas sobre como relacionar os agentes de determinados mercados. Foto: U.Montan/Nobelprize.org
10 | 52 Os norte-americanos Thomas Sargent, de 68 anos, e Christopher Sims, de 69 anos, receberam o prêmio pela pesquisa empírica sobre causa e efeito na macroeconomia. Foto: U. Montan/Nobelprize.org
11 | 52 Peter A. Diamond, de 70 anos (EUA), Dale T. Mortensen, de 71 (EUA), e Christopher A. Pissarides, de 62 (Inglaterra/Chipre), receberam o Nobel por estudo das relações entre a política econômica e o desemprego. Foto: U. Montan/Nobelprize.org
12 | 52 Os norte-americanos Elinor Ostrom, de 76 anos, e Oliver Williamson, de 77, ganharam pela análise da governança econômica. Foto: U. Montan/Nobelprize.org
13 | 52 O norte -americano Paul Krugman, então com 50 anos, foi premiado por sua teoria que integra comércio e geografia econômica. Foto: Bobby Yip/Reuters
14 | 52 O russo Leonid Hurwicz, de 90 anos, e os norte-americanos Eric Maskin, de 57, e Roger Myerson, de 56, ganharam por pavimentar as fundações da teoria do desenho de mecanismos. Foto: E. Ayoubzadeh e U. Montan/Nobelprize.org
15 | 52 Edmund Phelps, de 73 anos, dos Estados Unidos, ficou com o Nobel por seu trabalho sobre as relações dos efeitos a curto e longo prazo de uma política econômica. Foto: Sergio Moraes/Reuters
16 | 52 O alemão Robert Aumann, entã com 75 anos, e o norte-americano Thomas Schelling, de 84, ganharam o Nobel por estudos sobre conflito e cooperação por meio da análise da teoria dos jogos. Foto: D. Porges e T. Zadig/Nobelprize.org
17 | 52 O norueguês Finn Kydland, de 60 anos, e o norte-americano Edward Prescott, de 63, foram premiados por sua contribuições para a macroeconomia: a inconsistência temporal das políticas econômicas e as forças por trás dos ciclos de negócios. Foto: Nobelprize.org
18 | 52 Robert Engle III, de 61 anos (EUA), e Clive Ganger, de 69 (Reino Unido), foram escolhidos pela academia pela criação de métodos estatísticos para analisar tendências de curto e longo prazo. Foto: Nobelprize.org
19 | 52 Daniel Kahneman, de 68 anos, de Israel, e Vernon Smith, de 75 anos, dos EUA, venceram pela análise econômica integrada à psicologia, em especial o comportamento humano e a tomada de decisões em situações de incerteza. Foto: Nobelprize.org
20 | 52 Os norte-americanos George Akerlof, de 61 anos, A. Michael Spence, de 58, e Joseph Stiglitz, de 58, ganharam o Nobel por mostrarem que informações assimétricas podem ser chave para entender fenômenos de mercado. Foto: Nobelprize.org
21 | 52 James Heckman, de 56 anos, e Daniel McFadden, de 63, ambos dos Estados Unidos, ganharam pelo método de análise dos problemas de informação incompleta ou assimétrica. Foto: Nobelprize.org
22 | 52 O canadense Robert Mundell, então com 67 anos, foi premiado por sua análise de política fiscal e monetária sob diferentes regimes de taxas de câmbio. Foto: Bobby Yip/Reuters
23 | 52 Amartya Sen, de 65 anos, da Índia, ganhou por suas pesquisas sobre os problemas fundamentais da economia do bem-estar. Foto: Bruno Alencastro/Agência RBS
24 | 52 Robert Merton, de 48 anos, dos EUA, e Myron Scholes, de 56, dos Canadá, foi premiado por criar um novo método de determinar o valor de derivativos. Foto: Nobelprize.org
25 | 52 O escocês James Mirrlees, de 59 anos, e o canadense William Vickrey, de 82 anos, ganharam pelo método de análise dos problemas de informação incompleta ou assimétrica. Foto: Nobelprize.org
26 | 52 O norte-americano Robert Lucas Jr, então com 58 anos, foi premiado por desenvolver a hipótese de expectativas racionais e transformar a análise macroeconômica. Foto: Reprodução
27 | 52 John Harsanyi, de 74 anos, da Hungria, John Nash Jr., de 66, dos EUA, e Reinhard Selten, de 64, da Polônia, foram escolhidos pela academia pela criação da teoria dos Jogos, também conhecida como Equilíbrio de Nash, que analisa a solução para os jogos estratégicos não cooperativos. Foto: Nobelprize.org
28 | 52 Os norte-americanos Robert Fogel, de 66 anos, e Douglass North, de 73, ganharam por renovar a pesquisa em história econômica aplicando teoria econômica e métodos quantitativos. Foto: Nobelprize.org
29 | 52 O norte americano Gary Becker, de 62 anos, foi premiado por ter expandindo o domínio da teoria microeconômica para uma ampla gama do comportamento e da interação humana, inculindo o comportamento não mercado. Foto: David McNew/Reuters
30 | 52 Ronald Coase, então com 81 anos, do Reino Unido, recebeu o Nobel por esclarecer a significância dos custos de transação e direitos de propriedades para a estrutura institucional e o funcionamento da economia. Foto: University of Chicago
31 | 52 Os norte-americanos Harry Markowitz, de 63 anos, Merton Miller, de 67, e William Sharpe, de 56, receberam o prêmio pela contribuição pioneira para a teoria da economia financeira. Foto: Nobelprize.org
32 | 52 O norueguês Trygve Haavelmo, então com 78 anos, ganhou o Nobel por sua contribuição pioneira para a fundação da econometria. Foto: Reprodução
33 | 52 O francês Maurice Allais, de 77 anos, foi premiado por sua contribuição pioneira para a teoria dos mercados e a utilização eficiente dos recursos. Foto: Foundation Maurice Allais
34 | 52 Dos Estados Unidos, Robert Solow, de 63 anos, foi premiado por suas contribuições para a teoria do crescimento econômico. Foto: Divulgação
35 | 52 O norte-americano James Buchanan Jr., então com 67 anos, foi escolhido por sua contribuição para a teoria da tomada de decisão política e da economia pública. Foto: Atlas Network/Divulgação
36 | 52 O italiano Franco Modigliani, na época com 67 anos, recebeu o Nobel por suas análises pioneiras sobre poupança e mercados financeiros. Foto: Divulgação
37 | 52 Do Reino Unido, Richard Stone, de 71 anos, ganhou o prêmio por ter feito contribuições para o desenvolvimento de sistemas de contas nacionais e, assim, ter melhorado a análise econômica empírica. Foto: ESRC/Flicker
38 | 52 O francês Gerard Debreu, então com 62 anos, foi premiado por incorporar novos métodos analíticos à teoria econômica. Foto: Reprodução
39 | 52 O norte-americano George Stigler, de 71 anos, recebeu o prêmio por sua contribuição fundamental para o estudos dos processos dos mercados e para a análise das estruturas das indústrias. Foto: Reprodução
40 | 52 O norte-americano James Tobin, na época com 63 anos, recebeu o Nobel por sua análise dos mercados financeiros e suas relações com decisões de gastos, emprego, produção e preços. Foto: Reprodução
41 | 52 O norte-americano Lawrence Klein recebeu o Nobel aos 60 anos, por sua análise das políticas macroeconômicas por meio de um modelo econométrico; também fez importantes contribuições para as técnicas de previsão. Foto: B. Thumma/AP
42 | 52 Theodore Schultz, de 77 anos, dos EUA, e Sir Arthur Lewis, de 64, de Santa Lúcia, foram premiados pelo desenvolvimento de dois modelos econômicos que apontam as causas da pobreza entre a população de países em desenvolvimento. Foto: Nobelprize.org
43 | 52 O norte-americano Herbert Simon, de 62 anos, foi premiado por sua pesquisa pioneira do processo de tomada de decisões dentro das organizações econômicas. Foto: Reprodução
44 | 52 Bertil Ohlin, de 78 anos, da Suécia, e James Meade, de 70, dos Reino Unido, ganharam o prêmio pela contribuição para a teoria do comércio internacional e os fluxos internacionais de capital. Foto: Reprodução
45 | 52 O norte-americano Milton Friedman, então com 64 anos, foi premiado por suas contribuições para a análise do consumo e a história e teoria monetária, incluindo observações sobre a complexidade das políticas de estabilização. Foto: Eddie Adams/AP
46 | 52 Leonid Vitaliyevich Kantorovich, de 63 anos, da Rússia, e Tjalling Koopman, de 65, da Holanda, ganharam o Nobel pela contribuição à teoria de alocações ótimas de recursos. Foto: Nobelprize.org
47 | 52 O sueco Gunnar Myrdal, de 75 anos, e o austríaco Friedrich August von Hayek, de 75, foram premiados pela contribuição à teoria das flutuações da economia e da moeda e pela análise das relações entre os processos econômicos, sociais e políticos. Foto: Nobelprize.org
48 | 52 O russo Wassily Leontief, então com 67 anos, recebeu o Nobel por criar a técnica de 'input-output', método para analisar as complicadas transações entre as indústrias em uma economia. Foto: Reprodução
49 | 52 John Hicks, de 68 anos, do Reino Unido, e Kenneth Arrow, de 51, dos EUA, ganharam o prêmio por sua contribuição pioneira para a teoria do equilíbrio econômico e para a teoria do bem-estar. Foto: Nobelprize.org
50 | 52 O russo Simon Kuznets, de 70 anos, foi premiado por uma extensiva pesquisa sobre crescimento econômico das nações. Foto: AFP
51 | 52 O norte-americano Paul Samuelson, na época com 55 anos, recebeu o Nobel por ter contribuído para a melhora do nível das análises da ciência econômica. Foto: Donna Coveney/MIT
52 | 52 O norueguês Ragnar Frisch, de 74 anos, e o holandês Jan Tinbergen, de 66 anos, ganharam o Nobel pelo desenvolvimento e aplicação de modelos dinâmicos para análise dos processos econômicos. Foto: Nobelprize.org

O professor Thaler teve uma rápida participação no filme A Grande Aposta, ao lado da atriz e cantora Selena Gomez, no qual ele usou a economia comportamental para ajudar a explicar as causas da crise financeira. Quando perguntaram a ele sobre sua “curta carreira em Hollywood”, brincou se dizendo desapontado pelo fato de suas façanhas como ator não terem sido mencionadas no resumo de suas realizações quando o prêmio foi anunciado.

Por que o trabalho de Thaler foi importante? Seu trabalho forçou os economistas a lidarem com as limitações da análise tradicional com base no pressuposto de que as pessoas são atores racionais.

Ele também tem sido excepcionalmente bem-sucedido ao influenciar diretamente políticas públicas.

Uma das contribuições mais importantes é a sua influência sobre a mudança dos planos de aposentadoria nos quais os funcionários se inscrevem automaticamente e nas apólices que oferecem aos funcionários a opção de aumentar as contribuições ao longo do tempo. Ambos refletem a visão de Thaler de que a inércia pode ser usada para moldar resultados benéficos sem impor limites à escolha humana. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

LAUREADOS

Oliver Hart e Bengt Holmstrom (2016)

Autores da teoria dos contratos, que têm múltiplas aplicações em diversos contextos da vida real

Angus Deaton (2015)

Reconhecido por sua análise sobre o consumo, a pobreza e o bem-estar social

Jean Tirole (2014)

Premiado pelo trabalho de análise do poder e da regulação de mercado

Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Schiller (2013)

Premiados pelo trabalho pioneiro em identificar as tendências nos mercados financeiros

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Economia comportamental leva o Nobel

Norte-americano Richard H. Thaler diz que ‘para fazer uma boa análise em economia deve-se ter em mente que as pessoas são humanas’

Binyamin Appelbaum* - The New York Times

WASHINGTON – Richard H. Thaler recebeu o Prêmio Nobel de Economia pelas suas contribuições no campo da economia comportamental.

O professor Thaler, nascido em 1945 em East Orange, New Jersey (EUA), trabalha na Faculdade de Administração da Universidade Booth de Chicago. Segundo o comitê do Nobel ao anunciar o prêmio em Estocolmo, Thaler é pioneiro na aplicação da psicologia ao comportamento em economia e em explicar como as pessoas tomam decisões econômicas, às vezes, rejeitando a racionalidade.

US$ 1 milhão. ‘Tentarei gastar o prêmio da forma mais irracional possível’, diz Thaler. Foto: EFE/TANNEN MAURY

Sua pesquisa, disse o comitê, levou o campo comportamental em economia, de um papel secundário para corrente principal da pesquisa acadêmica e mostrou que o fator tinha importantes implicações para a política econômica.

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Thaler disse nesta segunda-feira, 9, que a premissa básica de suas teorias é a seguinte: “Para fazer uma boa análise em economia deve-se ter em mente que as pessoas são humanas”.

Quando lhe perguntaram como gastaria o dinheiro (cerca de US$ 1,1 milhão) do prêmio, respondeu: “Esta é uma pergunta bem divertida”. E acrescentou: “Tentarei gastá-lo da forma mais irracional possível.”

O prêmio de Economia foi criado em 1968 em memória de Alfred Nobel e é concedido pela Academia Real de Ciências da Suécia.

As linhas principais de estudos econômicos em grande parte do século 20 basearam-se na hipótese simplificada de que as pessoas se comportavam racionalmente. Os economistas entendiam que isso não era literalmente real, mas argumentaram que estava bem próximo disso.

O professor Thaler desempenhou um papel central ao se distanciar desse pressuposto. Ele não só defendeu que os seres humanos são irracionais, o que é algo óbvio, mas também de pouca ajuda. Em vez disso, ele mostrou que as pessoas saem da racionalidade de maneiras coerentes, portanto seu comportamento ainda pode ser antecipado.

O comitê do Nobel descreveu como a teoria de Thaler sobre “contabilidade mental” explica de que forma as pessoas simplificam as decisões financeiras, concentrando-se no impacto limitado de cada decisão e não no seu efeito mais geral. Ele também mostrou como a aversão a uma perda pode explicar por que as pessoas valorizam muito mais o mesmo item quando são proprietárias do que quando não o são, fenômeno chamado efeito de doação.

As teorias de Thaler explicam ainda porque as resoluções de ano-novo podem ser difíceis de se manter e analisam a tensão entre o planejamento de longo prazo e a ação no curto prazo.

Tentação. Sucumbir à tentação de curto prazo é uma razão importante pela qual muitas pessoas fracassam em seus planos de poupar para quando forem idosas, ou fazer escolhas de estilo de vida mais saudáveis, de acordo com a pesquisa de Thaler. Ele também demonstrou o quanto mudanças aparentemente pequenas na forma como os sistemas funcionam, ou como um “empurrãozinho” (“nudging”) - termo que ele inventou - pode ajudar as pessoas a exercer melhor autocontrole quando, por exemplo, estão economizando para a aposentadoria.

Conheça todos os vencedores do Prêmio Nobel de Economia

1 | 52 Prêmio Nobel de Economia de 2020 foi atribuído aos norte-americanos Paul Milgrom (direita), de 72 anos, e Robert Wilson, 83 Foto: EFE/EPA/ANDREW BRODHEAD
2 | 52 Michael Kremer, Esther Duflo e Abhijit Banerjee são os vencedores do Prêmio Nobel de Economia de 2019. Eles foram premiados pela abordagem experimental em aliviar a pobreza no mundo. Foto: Christine Olsson/TT News Agency via REUTERS
3 | 52 Os americanos William D. Nordhaus e Paul M. Romer ganharam o Prêmio Nobel de Economia por abordarem métodos para favorecer o crescimento sustentável. Em seus estudos, eles integraram mudança climática e inovação tecnológica com o crescimento econômico. Foto: Reuters
4 | 52 O americano Richard H. Thaler, de 72 anos, recebeu o Prêmio Nobel de Economia por suas pesquisas a respeito da economia comportamental. Em suas pesquisas, Thaler mostrou como algumas características humanas, como a racionalidade limitada, suas preferências sociais e até mesmo a falta de autocontrole impactam suas finanças pessoais e, por consequência, orientam um determinado comportamento do mercado.  Foto: Carsten Rehder/EFE
5 | 52 O britânico Oliver Hart e o finlandês Bengt Holmstrom foram os premiados com o Nobel de Ciências Econômicas de 2016, pelos estudos sobre a "teoria dos contratos". Foto: EFE
6 | 52 O escocês Angus Deaton foi premiado por seus estudos que relacionam consumo, pobreza e bem-estar. Foto: Divulgação
7 | 52 O francês Jean Tirole, então com 61 anos, foi escolhido pela academia por seu estudo sobre o poder de mercado das empresas. Foto: Fred Lancelot/Reuters
8 | 52 Os norte-americanos Robert Shiller, de 67 anos, Lars Peter Hansen, de 61, e Eugene Fama, de 74, foram premiados pela análise empírica do preço dos ativos. Foto: A. Mahmoud/Nobelprize.org
9 | 52 Alvin Roth, de 60 anos, e Lloyd Shapley, de 89 anos, ambos dos Estados Unidos, ficaram com o prêmio por pesquisas sobre como relacionar os agentes de determinados mercados. Foto: U.Montan/Nobelprize.org
10 | 52 Os norte-americanos Thomas Sargent, de 68 anos, e Christopher Sims, de 69 anos, receberam o prêmio pela pesquisa empírica sobre causa e efeito na macroeconomia. Foto: U. Montan/Nobelprize.org
11 | 52 Peter A. Diamond, de 70 anos (EUA), Dale T. Mortensen, de 71 (EUA), e Christopher A. Pissarides, de 62 (Inglaterra/Chipre), receberam o Nobel por estudo das relações entre a política econômica e o desemprego. Foto: U. Montan/Nobelprize.org
12 | 52 Os norte-americanos Elinor Ostrom, de 76 anos, e Oliver Williamson, de 77, ganharam pela análise da governança econômica. Foto: U. Montan/Nobelprize.org
13 | 52 O norte -americano Paul Krugman, então com 50 anos, foi premiado por sua teoria que integra comércio e geografia econômica. Foto: Bobby Yip/Reuters
14 | 52 O russo Leonid Hurwicz, de 90 anos, e os norte-americanos Eric Maskin, de 57, e Roger Myerson, de 56, ganharam por pavimentar as fundações da teoria do desenho de mecanismos. Foto: E. Ayoubzadeh e U. Montan/Nobelprize.org
15 | 52 Edmund Phelps, de 73 anos, dos Estados Unidos, ficou com o Nobel por seu trabalho sobre as relações dos efeitos a curto e longo prazo de uma política econômica. Foto: Sergio Moraes/Reuters
16 | 52 O alemão Robert Aumann, entã com 75 anos, e o norte-americano Thomas Schelling, de 84, ganharam o Nobel por estudos sobre conflito e cooperação por meio da análise da teoria dos jogos. Foto: D. Porges e T. Zadig/Nobelprize.org
17 | 52 O norueguês Finn Kydland, de 60 anos, e o norte-americano Edward Prescott, de 63, foram premiados por sua contribuições para a macroeconomia: a inconsistência temporal das políticas econômicas e as forças por trás dos ciclos de negócios. Foto: Nobelprize.org
18 | 52 Robert Engle III, de 61 anos (EUA), e Clive Ganger, de 69 (Reino Unido), foram escolhidos pela academia pela criação de métodos estatísticos para analisar tendências de curto e longo prazo. Foto: Nobelprize.org
19 | 52 Daniel Kahneman, de 68 anos, de Israel, e Vernon Smith, de 75 anos, dos EUA, venceram pela análise econômica integrada à psicologia, em especial o comportamento humano e a tomada de decisões em situações de incerteza. Foto: Nobelprize.org
20 | 52 Os norte-americanos George Akerlof, de 61 anos, A. Michael Spence, de 58, e Joseph Stiglitz, de 58, ganharam o Nobel por mostrarem que informações assimétricas podem ser chave para entender fenômenos de mercado. Foto: Nobelprize.org
21 | 52 James Heckman, de 56 anos, e Daniel McFadden, de 63, ambos dos Estados Unidos, ganharam pelo método de análise dos problemas de informação incompleta ou assimétrica. Foto: Nobelprize.org
22 | 52 O canadense Robert Mundell, então com 67 anos, foi premiado por sua análise de política fiscal e monetária sob diferentes regimes de taxas de câmbio. Foto: Bobby Yip/Reuters
23 | 52 Amartya Sen, de 65 anos, da Índia, ganhou por suas pesquisas sobre os problemas fundamentais da economia do bem-estar. Foto: Bruno Alencastro/Agência RBS
24 | 52 Robert Merton, de 48 anos, dos EUA, e Myron Scholes, de 56, dos Canadá, foi premiado por criar um novo método de determinar o valor de derivativos. Foto: Nobelprize.org
25 | 52 O escocês James Mirrlees, de 59 anos, e o canadense William Vickrey, de 82 anos, ganharam pelo método de análise dos problemas de informação incompleta ou assimétrica. Foto: Nobelprize.org
26 | 52 O norte-americano Robert Lucas Jr, então com 58 anos, foi premiado por desenvolver a hipótese de expectativas racionais e transformar a análise macroeconômica. Foto: Reprodução
27 | 52 John Harsanyi, de 74 anos, da Hungria, John Nash Jr., de 66, dos EUA, e Reinhard Selten, de 64, da Polônia, foram escolhidos pela academia pela criação da teoria dos Jogos, também conhecida como Equilíbrio de Nash, que analisa a solução para os jogos estratégicos não cooperativos. Foto: Nobelprize.org
28 | 52 Os norte-americanos Robert Fogel, de 66 anos, e Douglass North, de 73, ganharam por renovar a pesquisa em história econômica aplicando teoria econômica e métodos quantitativos. Foto: Nobelprize.org
29 | 52 O norte americano Gary Becker, de 62 anos, foi premiado por ter expandindo o domínio da teoria microeconômica para uma ampla gama do comportamento e da interação humana, inculindo o comportamento não mercado. Foto: David McNew/Reuters
30 | 52 Ronald Coase, então com 81 anos, do Reino Unido, recebeu o Nobel por esclarecer a significância dos custos de transação e direitos de propriedades para a estrutura institucional e o funcionamento da economia. Foto: University of Chicago
31 | 52 Os norte-americanos Harry Markowitz, de 63 anos, Merton Miller, de 67, e William Sharpe, de 56, receberam o prêmio pela contribuição pioneira para a teoria da economia financeira. Foto: Nobelprize.org
32 | 52 O norueguês Trygve Haavelmo, então com 78 anos, ganhou o Nobel por sua contribuição pioneira para a fundação da econometria. Foto: Reprodução
33 | 52 O francês Maurice Allais, de 77 anos, foi premiado por sua contribuição pioneira para a teoria dos mercados e a utilização eficiente dos recursos. Foto: Foundation Maurice Allais
34 | 52 Dos Estados Unidos, Robert Solow, de 63 anos, foi premiado por suas contribuições para a teoria do crescimento econômico. Foto: Divulgação
35 | 52 O norte-americano James Buchanan Jr., então com 67 anos, foi escolhido por sua contribuição para a teoria da tomada de decisão política e da economia pública. Foto: Atlas Network/Divulgação
36 | 52 O italiano Franco Modigliani, na época com 67 anos, recebeu o Nobel por suas análises pioneiras sobre poupança e mercados financeiros. Foto: Divulgação
37 | 52 Do Reino Unido, Richard Stone, de 71 anos, ganhou o prêmio por ter feito contribuições para o desenvolvimento de sistemas de contas nacionais e, assim, ter melhorado a análise econômica empírica. Foto: ESRC/Flicker
38 | 52 O francês Gerard Debreu, então com 62 anos, foi premiado por incorporar novos métodos analíticos à teoria econômica. Foto: Reprodução
39 | 52 O norte-americano George Stigler, de 71 anos, recebeu o prêmio por sua contribuição fundamental para o estudos dos processos dos mercados e para a análise das estruturas das indústrias. Foto: Reprodução
40 | 52 O norte-americano James Tobin, na época com 63 anos, recebeu o Nobel por sua análise dos mercados financeiros e suas relações com decisões de gastos, emprego, produção e preços. Foto: Reprodução
41 | 52 O norte-americano Lawrence Klein recebeu o Nobel aos 60 anos, por sua análise das políticas macroeconômicas por meio de um modelo econométrico; também fez importantes contribuições para as técnicas de previsão. Foto: B. Thumma/AP
42 | 52 Theodore Schultz, de 77 anos, dos EUA, e Sir Arthur Lewis, de 64, de Santa Lúcia, foram premiados pelo desenvolvimento de dois modelos econômicos que apontam as causas da pobreza entre a população de países em desenvolvimento. Foto: Nobelprize.org
43 | 52 O norte-americano Herbert Simon, de 62 anos, foi premiado por sua pesquisa pioneira do processo de tomada de decisões dentro das organizações econômicas. Foto: Reprodução
44 | 52 Bertil Ohlin, de 78 anos, da Suécia, e James Meade, de 70, dos Reino Unido, ganharam o prêmio pela contribuição para a teoria do comércio internacional e os fluxos internacionais de capital. Foto: Reprodução
45 | 52 O norte-americano Milton Friedman, então com 64 anos, foi premiado por suas contribuições para a análise do consumo e a história e teoria monetária, incluindo observações sobre a complexidade das políticas de estabilização. Foto: Eddie Adams/AP
46 | 52 Leonid Vitaliyevich Kantorovich, de 63 anos, da Rússia, e Tjalling Koopman, de 65, da Holanda, ganharam o Nobel pela contribuição à teoria de alocações ótimas de recursos. Foto: Nobelprize.org
47 | 52 O sueco Gunnar Myrdal, de 75 anos, e o austríaco Friedrich August von Hayek, de 75, foram premiados pela contribuição à teoria das flutuações da economia e da moeda e pela análise das relações entre os processos econômicos, sociais e políticos. Foto: Nobelprize.org
48 | 52 O russo Wassily Leontief, então com 67 anos, recebeu o Nobel por criar a técnica de 'input-output', método para analisar as complicadas transações entre as indústrias em uma economia. Foto: Reprodução
49 | 52 John Hicks, de 68 anos, do Reino Unido, e Kenneth Arrow, de 51, dos EUA, ganharam o prêmio por sua contribuição pioneira para a teoria do equilíbrio econômico e para a teoria do bem-estar. Foto: Nobelprize.org
50 | 52 O russo Simon Kuznets, de 70 anos, foi premiado por uma extensiva pesquisa sobre crescimento econômico das nações. Foto: AFP
51 | 52 O norte-americano Paul Samuelson, na época com 55 anos, recebeu o Nobel por ter contribuído para a melhora do nível das análises da ciência econômica. Foto: Donna Coveney/MIT
52 | 52 O norueguês Ragnar Frisch, de 74 anos, e o holandês Jan Tinbergen, de 66 anos, ganharam o Nobel pelo desenvolvimento e aplicação de modelos dinâmicos para análise dos processos econômicos. Foto: Nobelprize.org

O professor Thaler teve uma rápida participação no filme A Grande Aposta, ao lado da atriz e cantora Selena Gomez, no qual ele usou a economia comportamental para ajudar a explicar as causas da crise financeira. Quando perguntaram a ele sobre sua “curta carreira em Hollywood”, brincou se dizendo desapontado pelo fato de suas façanhas como ator não terem sido mencionadas no resumo de suas realizações quando o prêmio foi anunciado.

Por que o trabalho de Thaler foi importante? Seu trabalho forçou os economistas a lidarem com as limitações da análise tradicional com base no pressuposto de que as pessoas são atores racionais.

Ele também tem sido excepcionalmente bem-sucedido ao influenciar diretamente políticas públicas.

Uma das contribuições mais importantes é a sua influência sobre a mudança dos planos de aposentadoria nos quais os funcionários se inscrevem automaticamente e nas apólices que oferecem aos funcionários a opção de aumentar as contribuições ao longo do tempo. Ambos refletem a visão de Thaler de que a inércia pode ser usada para moldar resultados benéficos sem impor limites à escolha humana. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

LAUREADOS

Oliver Hart e Bengt Holmstrom (2016)

Autores da teoria dos contratos, que têm múltiplas aplicações em diversos contextos da vida real

Angus Deaton (2015)

Reconhecido por sua análise sobre o consumo, a pobreza e o bem-estar social

Jean Tirole (2014)

Premiado pelo trabalho de análise do poder e da regulação de mercado

Eugene Fama, Lars Peter Hansen e Robert Schiller (2013)

Premiados pelo trabalho pioneiro em identificar as tendências nos mercados financeiros

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