Henrik Montgomery/ TT News Agency/via REUTERS
Henrik Montgomery/ TT News Agency/via REUTERS

Crescimento sustentável ganha o Nobel

Prêmio de economia é entregue para dois americanos, Willam D. Nordhaus e Paul M. Romer, que desenvolveram estudos sobre o tema

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 07h36
Atualizado 09 Outubro 2018 | 13h29

WASHINGTON - O prêmio Nobel de economia deste ano foi entregue a dois americanos que desenvolveram trabalhos sobre políticas de estímulo a um crescimento econômico sustentável.

William D. Nordhaus, professor em Yale, foi premiado pelo pioneirismo no estudo de impacto econômico da mudança climática, trabalho ao qual se decida desde a década de 1970, e na defesa na taxação de emissões de carbono. Ele dividiu o prêmio com Paul M. Romer, professor da New York University, pela análise do papel das políticas governamentais de incentivo à inovação tecnológica.

Em comunicado, a Academia Real de Ciências da Suécia destacou que os premiados “desenvolveram métodos que abordam alguns dos desafios mais fundamentais de nosso tempo: combinar o crescimento sustentável a longo prazo da economia global com o bem-estar da população do planeta”.

No mesmo dia do anúncio do prêmio Nobel, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou relatório especial no qual sustenta que é preciso adotar “mudanças de longo alcance e sem precedentes” no comportamento humano para limitar o aquecimento global.

Homenageado, Paul Romer, que já ocupou o posto de economista-chefe do Banco Mundial, disse que não é possível ignorar os problemas ambientais. “Um problema hoje é que as pessoas acham que proteger o meio ambiente será tão caro e tão difícil que eles querem ignorar o problema e fingir que ele não existe”, disse após o anúncio dos premiados. Ele se destaca pela criação da “teoria do crescimento endógeno”, que sustenta que investimento acumulado em ideias e tecnologia estimulam a atividade econômica.

O secretário-geral da Academia Real de Ciência da Suécia, Goran K. Hansson cobrou dos países cooperação. “A mensagem é que é preciso que os países cooperem globalmente para resolver algumas dessas grandes questões”, afirmou. O chamado à cooperação se dá cerca de um ano após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado a decisão de retirar o país do Acordo de Paris, um tratado firmado entre quase 200 países em 1995 para limitar o aumento de temperatura, num esforço global de redução do impacto climático.

Carbono

Nordhaus foi pioneiro em defender que a redução de emissões de carbono exigiria a imposição de taxas. O Comitê do Nobel considerou que o trabalho do economista mostra que a imposição de impostos é o “remédio mais eficiente” para frear o aquecimento global. Na segunda-feira, 8, Nordhaus falou sobre o desafio da cooperação global: “Nós entendemos a ciência, entendemos os efeitos da mudança climática. Mas nós não entendemos como reunir os países.”

Os dois já haviam sido apontados, em anos anteriores, como merecedores do Nobel. “Em uma análise, pode não parecer uma combinação óbvia. Ambos estão ligados a uma teoria de crescimento moderna, mas não em uma forma coordenada ou similar. Mas a conjugação dos dois faz sentido”, afirmou no Twitter o economista e professor da Universidade de Michigan Justin Wolfers: “O fio comum entre os dois é que políticas inteligentes de governo são essenciais para entregar bons resultados de longo prazo.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.