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Noble Group paga US$ 1 bilhão por usinas da Cerradinho em São Paulo

Grupo de Hong Kong disputou os ativos da Cerradinho com a britânica BP e a brasileira Cosan; aquisição marca mais um avanço das empresas estrangeiras no setor de açúcar e álcool no Brasil - recentemente, a suíça Glencore comprou a usina Rio Vermelho

Melina Costa, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

Foi fechado na madrugada de ontem um acordo para a venda da operação de São Paulo da empresa de açúcar e álcool Cerradinho para o Noble Group, um dos maiores negociantes de commodities do mundo, com sede em Hong Kong. O valor do negócio, entre aporte de dinheiro e assunção de dívida, ficou em quase US$ 1 bilhão. Procuradas pelo "Estado", as empresas não se manifestaram.

Oficialmente, o acordo ainda precisa passar pela aprovação dos conselhos de administração tanto da Noble como da Cerradinho, o que deve acontecer no início da próxima semana. A chance de o negócio não ser aprovado nessas reuniões, porém, é pequena. O conselho da Cerradinho é formado, basicamente, por integrantes da família Fernandes, os controladores da empresa que já assinaram o acordo com a Noble. No caso da companhia de Hong Kong, um dos comitês do conselho já deu sua aprovação preliminar. Na tarde de ontem, executivos da Cerradinho entraram em contato com os credores da empresa para comunicar o desfecho do negócio.

De acordo com o que foi acertado, o Noble Group ficará com duas usinas em São Paulo, nos municípios de Catanduva e Potirendaba. A capacidade de moagem conjunta é de 8 milhões de toneladas de cana de açúcar por ano. As unidades também utilizam o bagaço de cana em um processo de cogeração de energia.

A usina Porto das Águas, no município de Chapadão do Céu, em Goiás, com capacidade de moagem de 3,3 milhões de toneladas por ano, continuará sob o controle dos Fernandes. As terras onde estão as plantações de cana que abastecem as usinas de São Paulo também continuam como propriedade da família.

Histórico. A Cerradinho procura um sócio desde o início do ano. Durante os últimos quatro meses, a empresa negociou apenas com a British Petroleum (BP) na intenção de formar uma joint venture. Mas, na última sexta-feira, assim que o prazo de exclusividade se encerrou, novos competidores entraram na disputa. As conversas com a Cosan, líder no setor sucroalcooleiro, e com o Noble Group começaram já no final de semana.

Até a noite de ontem, a família Fernandes ainda analisava três possibilidades. A primeira era a venda de 50% do capital da Cerradinho para a BP, a segunda era a venda de 100% do capital para a Cosan e a terceira era a proposta de venda da operação do Estado de São Paulo para o Noble Group. Essa última alternativa foi a que mais agradou à matriarca dos Fernandes, já que a família mantém sua participação no setor sucroalcooleiro. E, ao contrário do que aconteceu com a BP, as negociações foram rápidas. O contrato vinculante de venda das usinas foi assinado ontem perto da 1 hora da manhã.

Queda e ascensão. Depois de enfrentar problemas durante a crise financeira global, o setor sucroalcooleiro tem atraído uma série de investidores estrangeiros. No início do mês, a trading suíça Glencore adquiriu o controle da usina Rio Vermelho. A Bunge adquiriu a Moema e a Louis Dreyfus Commodities entrou na Santelisa Vale.

Além das tradings, os grupos de petróleo também aumentaram sua participação. A Shell criou uma gigante ao se associar com a Cosan, a BP tem uma participação da usina Tropical e a Petrobrás se associou à francesa Tereos (Guarani) e à São Martinho. Como parte do mesmo movimento, a indiana Shree Renuka Sugars, produtora de açúcar, comprou a Vale do Ivaí e parte da Equipav e agora negocia a compra da usina da Cooperativa Agroindustrial Corol, no Paraná.

Diversificação. Em 2007, 0 Noble Group escolheu o Brasil como destino prioritário de recursos. Com receita superior a US$ 30 bilhões, o grupo tem diversificado sua atuação no País por meio de investimentos nas áreas de combustíveis e logística. Em outubro, a companhia inaugurou um terminal de exportação de açúcar e grãos no Porto de Santos.

Entre seus investimentos no grupo no País estão usinas de álcool em São Paulo, uma processadora de café em Minas Gerais e armazéns nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Sul. A empresa atualmente constrói uma esmagadora de soja para produção de biodiesel em Mato Grosso, que deverá entrar em operação em 2012.

PONTOS-CHAVE

Pioneirismo

Em 2008, a British Petroleum (BP) foi uma das primeiras petroleiras estrangeiras a apostar no etanol nacional. Comprou metade da Tropical Bioenergia por US$ 100 milhões.

Petroleiras

No início do ano, as gigantes do petróleo entraram pesado nesse mercado. A Shell fez uma joint venture com a Cosan criando uma gigante nesse mercado e assustando os concorrentes. Asiáticos

O etanol brasileiro está atraindo também empresas da Ásia. A indiana Shree Renuka Sugars, que comprou a Vale do Ivaí e parte da Equipav, agora negocia uma usina no Paraná.

Últimos passos

No lance mais recente, a suíça Glencore, presidida por Ivan Glazenberg (foto), comprou, na semana passada, 70% da usina Rio Vermelho, em um negócio de cerca de US$ 80 milhões.

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