'Noias' roubam cabos de cobre e torneiras de R$ 5 mil

Materiais caros são levados do local, onde um incêndio reduziu a cinzas centrais de refrigeração,causando mais prejuízos

ITACARÉ (BA), O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h20

A trilha pela mata que leva à Praia da Engenhoca, famosa pela beleza e pelas ondas, agora passa pelo hotel. No acesso pela estrada ao resort, há uma porteira simples, sem sinalização. Nada que possa impedir os surfistas locais de cortarem caminho pela propriedade até a praia. Ou os "noias" (viciados) de saquearam parte dos cabos de cobre e inúmeras torneiras da marca dinamarquesa Vola, avaliadas em R$ 5 mil a peça.

Para piorar, uma grande quantidade de torneiras e louça suíça Geberit queimou em um incêndio em 2010. O fogo no depósito também reduziu a cinzas algumas centrais imensas de refrigeração, resultando em outro prejuízo milionário.

No curto percurso até a recepção, surgem estruturas de casas tomadas pelo mato, pilhas de metal enferrujado e blocos e mais blocos de mármore e ardósia em completo abandono.

A recepção, a 90 metros de altura da enseada, chama a atenção: duas muralhas imensas, de 100 metros, revestidas de mármore, de alto a baixo, abrem-se para o que seria uma espelho d'água, refletindo o céu e a espetacular vista para o mar. Nos andares abaixo, com visão igualmente privilegiada, ficariam a recepção e o spa com uma piscina suspensa apontando para o oceano. Os carros dos hóspedes seriam restritos a essa área.

A locomoção para todas as partes do resort seria feita com carrinhos de golfe. Pontes suspensas de concreto, construídas sobre a copa das árvores para causar o menor impacto possível, ligariam a recepção, na parte mais alta do terreno, com os bangalôs na área norte e sul.

Próximo ao mar, o Beach Club, uma grande estrutura marmórea com piscina, dá sinais explícitos de degradação: paredes pichadas e entulho tomam o lugar das espreguiçadeiras e do que seria o restaurante.

Se estivesse funcionando, os hóspedes mais exigentes teriam mordomos 24 horas. Calcula-se que seriam 5 funcionários por hóspede, ou mais de 600 pessoas. Também poderiam escolher entre os bangalôs de 160 ou 330 metros quadrados. Todos com deck e piscina.

Na área norte ficam as construções mais adiantadas. Algumas praticamente prontas, mas já precisando de reforma. A pintura está descascando e as elegantes portas de madeira cumaru, em forma de caixilhos estreitos, já estão emperradas.

Por dois anos, cerca de 1.300 operários trabalharam a todo vapor. No início de 2007, a obra foi embargada acatando uma ação civil pública que cobrava o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima).

Pouco meses depois, levantado o embargo, a obra voltou a funcionar, mas já sentia os reflexos da crise na Europa. Além da rápida valorização do real, quase duplicando custos da mão de obra e materiais ante a desvalorização do euro e do dólar. / C.B.

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