Nomeações políticas arruínam os Correios

A nomeação do ex-deputado federal e presidente interino do PSD Guilherme Campos Júnior para a presidência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) contradiz a disposição anunciada pelo presidente em exercício Michel Temer de suspender as indicações políticas para a direção de empresas estatais e fundos de pensão até a aprovação pelo Congresso de projetos que tornam mais rígidas as exigências para o preenchimento desses cargos.

O Estado de S.Paulo

12 Junho 2016 | 03h13

Os Correios são mais um exemplo dos estragos que o aparelhamento político-partidário pode causar a uma estatal. O descalabro administrativo da empresa chegou a ponto de se prever que ela não terá caixa no segundo semestre para pagar funcionários e fornecedores, o que a forçará a tomar empréstimos a taxas elevadas de mercado.

O balanço de 2015 já passou pelo conselho de administração da empresa, mas ainda não foi publicado. Há indicações de que registrará prejuízo de R$ 2,1 bilhões. Enquanto as despesas subiram 18,3% no ano passado, as receitas só cresceram 6,5%. Neste ano, até maio, as perdas são estimadas em R$ 700 milhões.

Como outras empresas, a ECT enfrenta dificuldades. As tarifas foram reajustadas em 8,89% em dezembro, abaixo da inflação anual, e a demanda está em queda, por causa do avanço de novos meios de comunicação. Há negociações salariais previstas para agosto e, como se não bastasse, o fundo de pensão dos 120 mil funcionários da empresa, o Postalis, apresenta prejuízos bilionários e é objeto de investigação pela Lava Jato.

Embora graves, são problemas que podem ser enfrentados por profissionais com comprovada experiência administrativa, familiarizados com novas tecnologias e com conhecimentos necessários para formular planos que tornem os Correios uma empresa competitiva nos próximos anos.

Isto esteve longe do escopo da antiga diretoria dos Correios, toda ela composta por políticos estranhos à área e que está sendo substituída por outra também chefiada por um político. Até há pouco, o responsável pela área de tecnologia era um dentista indicado pelo PT. E, como sempre ocorre em estatais, os salários dos diretores são elevados.

A ECT só se livrará de suas mazelas, voltando a prestar bons serviços, se seus diretores deixarem de ser nomeados na base do “toma lá dá cá”, para a obtenção de apoio parlamentar, e comprovarem competência profissional para o cargo.

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