Nordeste terá esquema emergencial

Governo adota medidas para poupar reservatórios

Leonardo Goy, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) adotou ontem um conjunto de medidas para reduzir em cerca de 1.000 MW médios a geração de energia das hidrelétricas do Nordeste para poupar os reservatórios da região, que estão operando com apenas 27% da capacidade. No caso da usina de Sobradinho, uma das principais da região, a situação é ainda mais grave: o reservatório está com 12% do volume total.Para substituir essa energia, o CMSE determinou três medidas, que entrarão em vigor a partir do próximo fim de semana. A primeira é o aumento da transferência de energia das regiões Sudeste/Centro-Oeste dos atuais 1.000 para 1.300 MW médios. Outra decisão será a transferência de 200 a 300 MW médios da usina de Tucuruí, no Pará, para o Nordeste. A terceira é o acionamento de seis termoelétricas do Nordeste, que produzirão de 500 MW a 600 MW médios. Serão três usinas a gás (Fafem, Termobahia e Termopernambuco).O secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, Ronaldo Schuck, explicou que a Petrobrás já está fornecendo gás para a região acima do previsto no acordo firmado entre a estatal e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Por isso, as outras três termoelétricas a serem acionadas terão de ser movidas a óleo (Camaçari, Termobahia 2 e TermoCabo).Apesar da situação preocupante, Schuck descartou o racionamento de energia no Nordeste. "Não há risco de racionamento", declarou. "O limite de segurança da região prevê que o nível médio dos reservatórios pode chegar a até 10%." Segundo o secretário, com as medidas adotadas ontem, o nível da água deve parar de cair. O governo espera a recuperação dos reservatórios com o início das chuvas, a partir do fim de dezembro. Ele lembrou que, em 2006, o País passou por situação semelhante por conta da seca ocorrida no Sul, o que acabou demandando a transferência de energia do Sudeste.Schuck admitiu que o acionamento das térmicas do Nordeste provocará uma elevação no custo da energia. Mas, segundo ele, a alta não será significativa nem sentida pelo consumidor no curto prazo. "O aumento será diluído entre todos os consumidores do Sistema Interligado Nacional."

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