Normalização do fluxo de crédito ainda demora, diz Goldfajn

O diretor do Banco Central, Ilan Goldfajn, não está muito otimista quanto à normalização do fluxo de crédito ao Brasil a curto prazo. Em entrevista hoje, Goldfajn disse que a aversão ao risco no mercado internacional "está em seu nível mais elevado" já registrado pelo sistema financeiro internacional e não há sinais de que essa situação vá se reverter a curto prazo.No caso do Brasil a situação nos últimos seis meses foi mais dramática, porque em paralelo ao aumento do risco no mercado internacional, houve aumento do risco interno. Isso fez com que o País vivesse um duplo estresse com o aumento do "risco Brasil" no mercado internacional, superior a 2.300 pontos-base (diferença entre os juros pagos pelos títulos do governo brasileiro em relação aos juros pagos pelo Tesouro norte-americano), e aumento do deságio sobre as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que chegou a superar os 2% ao ano. Goldfajn considera que houve "melhoria" para o Brasil nos últimos meses, que ele atribui a dois fatores: 1) havia um claro exagero antes das eleições presidenciais de 27 de outubro e 2) o novo governo tem emitido sinais considerados positivos pelos investidores. Ele considera, porém, que o patamar atual ainda é elevado, mas menos preocupante do que o observado até meados de outubro. Estabilidade no fluxo de recursosApós a redução drástica das linhas de crédito ao Brasil, houve uma interrupção do processo de queda e há sinais de estabilidade no fluxo de recursos ao Brasil, embora em patamar mais baixo. A avaliação é do diretor do Banco Central ,Ilan Goldfajn, em entrevista durante o seminário sobre "Estabilidade Financeira" promovido pela instituição. "O pior parece que já passou", disse Goldfajn, dizendo que o BC não tem precisado mais fazer leilões de crédito para apoiar as atividades de exportação. Segundo ele, "de uma forma ou de outra" os exportadores estão conseguindo se financiar, sem demandar mais recursos do BC. Caso o cenário volte a piorar, porém, ele garante que o governo voltará a adotar a mesma mecânica anterior. "O BC está atento e poderá restabelecer os leilões de linhas de crédito se isso se mostrar necessário", afirmou."Nenhum problema"O sistema financeiro brasileiro não apresentou "nenhum problema" nos últimos meses, apesar de enfrentar condições extremamente adversas devido à volatilidade do dólar e da queda do financiamento externo. Um sinal disso é que os bancos estão com folga no chamado "índice de Basiléia" e com "excesso de provisões" em suas demonstrações financeiras para fazer face aos riscos de suas atividades. A avaliação é da diretora da instituição, Tereza Cristina Grossi, no seminário, quando apresentou, pela primeira vez, o "Relatório de Estabilidade Financeira", com vários gráficos e tabelas mostrando a "saúde" do sistema financeiro nacional com dados atualizados até junho.A intenção do BC é divulgar esse relatório semestralmente, dando mais transparência à atuação das atividades de fiscalização da Autoridade Monetária. Segundo Tereza, o atual nível de capitalização dos bancos brasileiros "é confortável" para a autoridade supervisora dos bancos, com todos os indicadores mostrando que o sistema está saudável. "Estamos colhendo hoje o que foi feito desde o início dos anos 90, com o saneamento dos bancos privados, dos bancos estaduais e mais recentemente dos bancos federais", disse Tereza em entrevista.A diretora do BC afirmou que a instituição fez diversos "testes de estresse" para avaliar os limites de resistência dos bancos e, em todas as simulações, a situação é de tranqüilidade. IndicadoresNo relatório que está sendo divulgado hoje o BC apresenta os indicadores que ratificam a saúde do sistema, citando: a) contínua expansão dos seus ativos totais; b) tendência declinante do custo operacional; c) estabilidade da taxa de inadimplência, em um contexto de contenção do nível de atividade interna; d) obtenção de taxa de retorno positiva; e) manutenção do nível de provisões bem acima do mínimo exigido; f) índice de Basiléia superior a 16% em junho de 2002, frente ao mínimo de 11%; g) adequada capitalização, com o patrimônio de referência, em junho de 2002, superando em mais de 44% o patrimônio mínimo exigido.

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