Norte tem 60% do potencial hidrelétrico

A Região Norte detém 60% de todo potencial hidrelétrico do Brasil. Mas, segundo o último Plano Nacional de Energia, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), boa parte tem restrições ambientais para exploração. O presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, afirma que, para os próximos dez anos, a expectativa é construir cerca de 13 mil megawatts (MW) de energia dentro da Bacia do Amazonas, incluindo São Luiz do Tapajós e Jatobá, no Rio Tapajós.

O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2014 | 02h04

Tolmasquim afirma que o Norte é a grande fronteira hidrelétrica do País. "Mas essa também é a região com maior riqueza de biodiversidade (de fauna e flora) e com grandes comunidades indígenas." Segundo ele, o grande desafio é saber que parte do potencial hidrelétrico poderá ser usado sem causar risco ao patrimônio ecológico.

"A tendência é ficar cada vez mais restritivo para a construção de hidrelétricas na Amazônia." Por isso, a solução será apostar em novas fontes de energia, como as eólicas e as termoelétricas. Tolmasquim explica que a participação das hidrelétricas na matriz energética deverá cair de 69% para 59% nos próximos dez anos. Isso não significa que o País deixará de construir hidrelétricas no País, mas que outras fontes ganharão mais peso no planejamento, diz ele.

O professor da USP, José Goldemberg, ex-secretário de Meio Ambiente de São Paulo, defende a diversificação da matriz elétrica, com o aumento da participação das eólicas e biomassa. "Estão negligenciando o enorme potencial do bagaço de cana na produção de energia elétrica." Na avaliação dele, no entanto, essa diversificação não significa abandonar a construção de hidrelétrica, mesmo que seja na Amazônia. Mas é preciso ser feito com cuidado, prevendo todas as mitigações possíveis, diz ele. "As compensações precisam ser feitas com planejamento e custam caro."

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