Nos 4 anos do governo Lula, energia elétrica subiu 75,34%

Os reajuste das tarifas de energia elétrica no ano passado foram os menores nos últimos anos, só ficando acima dos registrados em 1998, quando os aumentos atingiram 5,37%. Contudo, ao longo dos quatro anos do governo Lula, os aumentos acumularam variação de 75,34%, bem acima dos 49,5% contabilizados nos quatro anos anteriores. Os números são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).O governo Lula preferiu onerar mais o setor industrial do que o consumidor residencial no processo de aumento de energia. Dentro do aumento de 75,34% entre 2002 e 2006, o setor industrial teve reajuste de 116,85%, enquanto os consumidores residenciais viram as suas contas de luz subirem em 40,61% no período.O setor comercial foi "poupado" pela agência reguladora, com aumento acumulado em quatro anos de 47,76% (tarifa de R$ 274,24 no final de 2007), com o setor rural registrando aumento de 56,18% (R$ 176,30), o poder público com aumento de 58,48% (R$ 292,46), a iluminação pública teve reajuste de 46,73% (R$ 165,31) e o serviço público viu os seus custos com energia elétrica subirem 74,17% ao longo de 2002 a 2006 (R$ 185,89).Os técnicos do setor estão prevendo que a tendência para 2007 é de que as tarifas tenham reajustes menores do que no ano passado e não descartam até uma deflação este ano. No processo de revisão das distribuidoras Coelce (Ceará) e da Ampla (Rio de Janeiro) já houve um primeiro sinal. A Aneel reduziu em 6,7% as tarifas da Coelce e em 5,0% as da Ampla.As duas distribuidoras tinham tarifas bem acima da média nacional, com a Ampla registrando tarifa residencial de R$ 359,73 por MW/h e a Ampla com R$ 368,05 (após a redução). No final do ano passado, a tarifa média residencial no País estava em R$ 294,91 por MW/h, pelos dados da Aneel.Tarifas mais altasUm "teste" da disposição da Aneel em reduzir as tarifas será nas revisões dos preços da Cemig e da CPFL Paulista, previstas para o início de abril. A Cemig, que tem o virtual monopólio em Minas Gerais, tem a quarta tarifa mais alta do setor, com a média de R$ 406,71 por MW/h. Nos últimos anos foi uma das empresas mais rentáveis do setor. A tarifa da CPFL Paulista, do grupo CPFL Energia, está em R$ 326,45 por MW/h, o que sinaliza que haveria menos "gordura" para cortar.A redução foi viabilizada por três fatores, conforme técnicos da Aneel. Um dos aspectos mais relevantes foi a redução do chamado "risco Brasil", que barateou o custo de capital para as empresas do setor, um dos segmentos caracterizados como "capital intensivo".Além disso, o governo está prevendo a redução do consumo de derivados de petróleo para a geração de energia elétrica, com um peso menor na Conta de Consumo de Combustíveis (CCC).O terceiro fator é que os mega-leilões de energia velha, realizados no final de 2005, começam a trazer impacto efetivo nas contas das distribuidoras, com a redução da tarifa média de geração.

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