Nos bastidores, UE discute forma de ajudar Espanha e Itália

As crescentes dificuldades para obter financiamento nos mercados financeiros enfrentadas pelos governos espanhol e italiano são o centro dos esforços nas negociações

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

28 de junho de 2012 | 15h11

As autoridades da zona do euro estão analisando uma variedade de opções destinadas a ajudar a Espanha e a Itália a lidarem com os altos custos dos seus empréstimos, enquanto os líderes da União Europeia realizam uma cúpula de dois dias, em Bruxelas, para discutir soluções para a crise financeira, reportou o The Wall Street Journal.

Enquanto a cúpula de Bruxelas foi incumbida de chegar a um acordo sobre um pacote de crescimento para a região e discutir planos de longo prazo para unir de forma mais estreita as 17 economias da zona do euro, as crescentes dificuldades para obter financiamento nos mercados financeiros enfrentadas pelos governos espanhol e italiano são o centro dos esforços nos bastidores, disseram autoridades.

O foco das medidas de curto prazo será o de reduzir os custos de financiamento da Itália e da Espanha, através da criação de um mecanismo para comprar esses títulos tanto no mercado secundário, onde são negociados entre os investidores, ou quando forem leiloados pelo governo, afirmaram fontes europeias.

No entanto, as conversações sobre as medidas de curto prazo ainda estão em seu estágio inicial e fontes alertaram que um acordo final pode não ficar pronto até o fim da cúpula da UE amanhã à tarde.

O primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, defenderá durante a reunião pela criação de um mecanismo semiautomático que poderia intervir nos mercados secundários quando os yields (retorno ao investidor) dos bônus de países vulneráveis aumentassem muito acima dos yields dos títulos da Alemanha, afirmou uma fonte europeia.

Em paralelo às discussões entre os líderes da UE, altos funcionários dos ministérios das Finanças da zona do euro discutiram também a compra de títulos no mercado primário, segundo um funcionário europeu. A ideia era que os funcionários do Ministério das Finanças resumissem as opções para os líderes da zona do euro discutirem durante um almoço amanhã, uma vez que a reunião maior de todos os 27 líderes da UE é longa, de acordo com outras fontes.

Propostas e resistências

Até início deste ano, o Banco Central Europeu tinha realizado algumas intervenções nos mercados secundários para ajudar a reduzir os custos de empréstimos da Itália e da Espanha, mas o banco tem se esforçado para entregar esse papel aos fundos de resgate da zona do euro.

Algumas das propostas mais ambiciosas sobre as intervenções nos mercados de bônus estão enfrentando forte resistência de países importantes, como a Alemanha e a Holanda, afirmou uma fonte, acrescentando que os movimentos para relaxar as condições para a utilização de fundos de resgate da região para comprar títulos do governo estavam sendo atentamente analisados.

Um compromisso possível seria submeter as condições ligadas ao apoio ao mercado de bônus à vigilância mais rigorosa das promessas de corte de gastos e reforma dos mercados de trabalho e sistemas de pensões já feitas pela Itália e Espanha.

Em um sinal de uma mudança de humor, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, disse em entrevista ao The Wall Street Journal que a Europa pode ter de tomar no curto prazo medidas para deter o êxodo de capital do setor privado dos mercados de títulos da região e disse que havia uma número de instrumentos que poderão ser utilizados, inclusive compras diretas da dívida pública por parte de fundos de resgate da zona do euro. As informações são da Dow Jones.

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