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Nos canteiros, temor é apagão da mão-de-obra

Falta pessoal qualificado, como engenheiro, mestre-de-obra, pedreiro, armador e carpinteiro

José Maria Mayrink, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2016 | 00h00

Começa a faltar mão-de-obra na construção civil, e esse quadro inicial de penúria vai se agravar a partir de 2008. Apesar de o nível de emprego no setor ter aberto o segundo semestre em alta, com elevação de 1,36% em julho ante o mês anterior - o contingente de trabalhadores com carteira assinada subiu para 1,686 milhão, com a contratação de 22,6 mil novos funcionários -, essa injeção de ofertas não é suficiente.O Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon-SP), que fez esse levantamento com base em dados do Ministério do Trabalho, projeta um crescimento de 7,9% para o PIB da construção civil em 2007.Além dos contratados, há no País cerca de 3 milhões de trabalhadores informais no setor."Está faltando pessoal de todos os níveis, mas principalmente profissional qualificado, como engenheiros, mestres-de-obras, pedreiros, armadores e carpinteiros", diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil (Sintracon-SP), Antônio de Sousa Ramalho. "São Paulo precisa de mais 20 mil engenheiros e o Brasil, de mais 55 mil", informa. "Temos de formar 300 mil profissionais em 2008", calcula Ramalho. Seu sindicato forma 200 por mês. Enquanto não chega gente nova, as construtoras buscam estagiários e recém-formados nas faculdades ou promovem cursos internos para reciclar pessoal. "Ainda não sentimos falta de profissionais, mas vamos sentir no começo do ano", prevê o presidente do Sinduscon do Paraná, Hamilton Pinheiro Franck. Pelos seus cálculos, a demanda de mão-de-obra vai aumentar muito em 2008, quando saírem da prancheta projetos de grandes empreendimentos em todo o País.Construtoras e empreiteiras tentam também melhorar os salários, para não perder bons empregados. "Algumas estão antecipando um reajuste de 5%, por conta do dissídio da categoria, cujo índice foi de 5,5% em maio", revela Ramalho. "Estamos pagando salários altos em todos os níveis", confirma Maurício Linn Bianchi, diretor técnico da BKO Engenharia e Comércio e coordenador de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon-SP. Um bom oficial - como pedreiro, eletricista ou carpinteiro experiente - ganha mais de R$ 1,3 mil por mês. O piso - que é de R$ 785 em São Paulo - engorda de acordo com a produção. No último semestre, a remuneração subiu até 50% nos cargos de gerência e de direção. Do lado dos trabalhadores, Ramalho teme a ocorrência do que ele chama de "apagão de mão-de-obra", uma possibilidade para a qual vem alertando há mais de um ano, mas não é essa a visão dos empregadores. "Enfrentamos uma turbulência administrável", afirma Bianchi. Fala-se até em trazer trabalhadores da Argentina, Chile, México e Paraguai. "Quando começou a correr essa conversa, eu fui atrás, para verificar se seria uma solução possível", disse Bianchi. Chegou à conclusão de que ficaria mais barato gastar com a requalificação. "Seria um absurdo trazer gente de fora, num país com 10 milhões de desempregados", argumenta Ramalho. Ele insiste na qualificação, "porque não adianta haver oferta de empregos, se os candidatos não forem capacitados".Outra saída para enfrentar o déficit de mão-de-obra seria trazer de volta trabalhadores do setor que, nos anos de crise, migraram para outras áreas, como montadoras automobilísticas, fabricantes de peças e o agronegócio.

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