Nos dois últimos anos, mercado errou mais sobre decisões do Copom

Levantamento da Agência Estado mostra que, nos últimos dois anos, analistas consultados semanalmente na pesquisa Focus erraram seus prognósticos para as decisões do Copom a cada 2,4 reuniões

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

22 de julho de 2010 | 15h29

O mercado financeiro e o Banco Central parecem estar se entendendo menos. Levantamento feito pela Agência Estado mostra que, nos últimos dois anos, analistas consultados semanalmente na pesquisa Focus erraram seus prognósticos para as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) a cada 2,4 reuniões. A proporção é comparável à vista nos dois primeiros anos do governo Lula, quando o mercado ainda tentava compreender a dinâmica da nova gestão e os erros ocorriam na proporção de um a cada 1,8 reunião. No período intermediário - de quase cinco anos -, mercado e BC estavam com discurso mais afinado e a taxa de erro foi muito menor: uma previsão equivocada a cada 6,2 encontros do Copom.

Nos últimos dois anos - período que coincide com o início e fim da crise financeira no Brasil -, a autoridade monetária surpreendeu analistas em sete das 17 reuniões realizadas desde julho de 2008. A última ocorreu ontem. Foram cinco vezes em que o juro anunciado foi menor que o previsto na pesquisa Focus que antecedeu a reunião, exatamente como na decisão de quarta-feira. Em outras duas ocasiões no período, o Copom anunciou taxa superior à prevista.

Portanto, nesses dois anos os erros acontecem majoritariamente "para baixo". Ou seja, quando a autoridade monetária anuncia juros inferiores aos previstos pelo mercado.

A intensidade de erros nos últimos 24 meses é comparável à vista nos dois primeiros anos do governo Lula - quando as reuniões ainda eram mensais, já que atualmente acontecem a cada 45 dias. Naquele período de 24 decisões, foram 13 erros, sendo sete com juro anunciado superior à previsão dos analistas e seis abaixo do esperado.

No período intermediário entre os dois primeiros anos do governo Lula e os dois últimos, a taxa de erro foi muito menor. Em 31 decisões sobre o juro básico da economia nesse intervalo, ocorreram apenas cinco erros, sendo quatro com taxa anunciada maior que a prevista e apenas uma com juro inferior ao esperado.

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