finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Nos Estados Unidos, guerra de preços já começa amanhã

Grandes redes querem estimular o gasto do consumidor americano, que mostra receio em ir às compras

Altamiro Silva Júnior, correspondente, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2013 | 02h17

NOVA YORK - A principal data do comércio nos Estados Unidos, a Black Friday, sempre na sexta-feira depois do dia de Ação de Graças, vai começar novamente mais cedo este ano e com forte guerra de preços entre as grandes redes de varejo, na tentativa de fazer o americano, que vem mostrando receio em consumir, a gastar mais. Outra aposta é nos turistas, sobretudo nos brasileiros, os visitantes estrangeiros que mais consomem em Nova York.

A Black Friday começa tradicionalmente na manhã da sexta-feira. Mas, em tempos de economia menos aquecida, grandes redes de varejo, como Macy's, Best Buy e Walmart, vão abrir as portas na tarde de amanhã, feriado nos EUA, com os preços e promoções da Black Friday. Esse movimento começou a ganhar força no ano passado e este ano teve a adesão de praticamente todas as grandes redes. No mundo virtual, a Amazon começou ontem em seu site uma série de promoções, com preços da Black Friday.

As projeções de especialistas em varejo apontam para um crescimento mais modesto nas vendas na Black Friday este ano. A consultoria ShopperTrak, especializada em rastrear o fluxo de comércio em 60 mil lojas, projeta expansão de 2,4% até domingo. A taxa de crescimento é a menor desde 2009. Já a Federação Nacional de Varejo (NRF, na sigla em inglês) estima que 140 milhões de pessoas vão às compras, uma queda de 5% em relação a 2012.

O presidente da NRF, Matthew Shay, avalia, em um comunicado à imprensa, que o orçamento dos americanos para presentes e consumo supérfluo está mais apertado. Ele prevê um consumidor mais conservador, na medida em que as famílias esperam por uma recuperação da economia nos próximos meses. Pesquisa da NRF mostra que 79,5% dos consumidores planejam gastar menos este ano, com 51% citando preocupação com atividade econômica como principal motivo para a cautela. "As famílias estão questionando a estabilidade da economia, o governo e as próprias finanças", disse ele. Por isso, se prevê forte guerra de preços.

Na semana passada, a Best Buy anunciou que pode ocorrer "erosão" nas suas margens, por causa da pressão em ter preços mais competitivos para atrair consumidores. No dia do anúncio, suas ações caíram 11%. Já o banco Morgan Stanley espera o maior volume de promoções e briga de preços entre grandes varejistas desde a crise financeira em 2008.

Enquanto os americanos mostram certo receio em consumir, grandes redes como a Macy's apostam no poder de gastos de estrangeiros, sobretudo brasileiros e chineses. Considerando apenas Nova York, os brasileiros ficam no terceiro lugar em número de visitantes na cidade, atrás do Reino Unido e do Canadá. Mas, quando o ranking é por volume de gastos, o Brasil lidera o levantamento, segundo a NYC & Company, organização de turismo local. No ano passado, os visitantes brasileiros gastaram o recorde de US$ 1,9 bilhão.

Promoções. Entre as promoções da Black Friday já divulgadas, o Walmart, a maior rede varejista do país, anunciou uma TV de tela plana de 32 polegadas por US$ 98 e um iPad mini a US$ 299, que vem com um vale-presente de US$ 100 para gastar em produtos da rede. A Best Buy anunciou um laptop Toshiba por US$ 299 e CDs a US$ 3. Só a Black Friday chega a responder por cerca de 10% do faturamento anual de algumas grandes redes, por isso a importância da data para as varejistas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.