TV Estadão | 24.10.2015
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'Nos EUA, os imigrantes vivem em estado de medo'

Para pesquisadora, mesmo quem tem documento sempre vai ser diferente: 'sempre vai ser um de fora'

Entrevista com

Sueli Siqueira, pesquisadora e professora da Univale

Luiz Guilherme Gerbelli , O Estado de S. Paulo

25 Outubro 2015 | 03h00

1. Quais as consequências dessa migração para a economia?

A migração não se constitui em um ciclo econômico. É uma mobilidade humana. O país de origem dos imigrantes é geralmente o perdedor no sentido econômico. Ele faz investimento na formação desse indivíduo e, na hora que tem a força de trabalho para desenvolver, esse trabalhador vai para fora. O destino só ganha. Recebe uma mão de obra saudável e jovem e descarta na hora que não precisa. Como aconteceu na crise, a deportação no período foi muito grande. 

2. Como é a condição de vida de quem decide migrar?

As condições de vida lá são extremamente degradantes. As pessoas vivem em estado de medo, principalmente quem não tem documento. E mesmo quem tem o documento sempre vai ser diferente, sempre vai ser um de fora. Mas como tem essa ideia de que lá é melhor do que aqui, o migrante pode viver na franja de uma sociedade rica, mas ele vai se sentir como se estivesse num mundo de riqueza.

3. É possível saber quantos brasileiros estão nos EUA?

Não temos esse dado. O censo americano não tem a categoria brasileiro nem a categoria latino. Tem a categoria hispânico, mas nós não somos hispânicos. Se existisse a categoria latino, poderíamos nos caracterizar como latinos. É difícil para o brasileiro se caracterizar. E o censo brasileiro de 2010 trouxe pela primeira vez essa preocupação e mesmo assim as questões sobre migração não deram muita dimensão da quantidade. Foram mais da localidade. 

4.Por que as pessoas ainda se arriscam a migrar ilegalmente?

É uma cultura. As pessoas correm o risco porque todos correm. Hoje, há outros caminhos (além do México). As pessoas vão pela Guatemala. Fazem caminhos até demorados para chegar aos EUA. Os descendentes de italianos, por exemplo, pegam a cidadania e não vão para a Itália. Vão para os EUA. Mas ao chegarem lá se tornam indocumentados no momento em que começam a trabalhar.

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