Evaristo Sa|AFP
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Nos EUA, Levy defende livre-comércio com China, mas evita tomar lado em guerra comercial

O presidente do BNDES, Joaquim Levy, defendeu nesta terça-feira os investimentos chineses feitos no Brasil, durante evento realizado em Washington

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2019 | 17h05

WASHINGTON - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira, 7, nos Estados Unidos que o Brasil trabalha para aumentar a parceria em muitos países da Ásia. Em Washington, a uma plateia de americanos, Levy evitou tomar um lado na guerra comercial travada entre os Estados Unidos e China.

Questionado especificamente sobre efeitos da elevação de tarifas impostas pelos EUA a US$ 200 bilhões em produtos chineses, Levy optou por defender o "livre comércio" e apostar na continuidade do crescimento da renda nos países asiáticos. "Claro que todos queremos um comércio livre. O Brasil, junto com os EUA, é um grande exportador de alimentos para China. Acreditamos que a renda continuará a crescer e estamos trabalhando para aumentar nossa parceria na China e em muitos países da Ásia", afirmou, ao participar da 49º Conferência sobre as Américas, organizada pelo Council of the Americas.

Na sequência, Levy defendeu os investimentos chineses feitos no Brasil. Segundo ele, é possível ser "muito aberto" ao recebimento de investimento estrangeiro se houver padrões de transparência e segurança. "O segredo para ter um sistema saudável de investimentos estrangeiros é como esses investimentos são aplicados. Quais as regras, os padrões, a transparência. Recebemos investimentos de todo o mundo", disse Levy, questionado sobre a presença na China na região.

"O problema no mundo não é dinheiro. Há fluxos de capital. (…) Nosso esforço é fazer o ambiente mais atraente, um ambiente que requer transparência, que seja sustentável. Se pudermos produzir boas oportunidades, podemos ter fluxo de investimento de todo lugar. O Brasil enfrentou grandes questões e mostramos que desde que tenhamos fortes instituições, uma imprensa livre e um judiciário livre, podemos passar por processos dolorosos", completou o presidente do BNDES.

Levy afirmou aos americanos que a economia brasileira, assim como a política, estão passando por mudanças profundas no Brasil e há esforços para acelerar privatizações e aumentar a liberdade de mercado. Segundo ele, há "muito interesse" no Brasil e a votação da reforma da previdência vai abrir a porta para novos investimentos.

Relação com EUA

O presidente do BNDES enalteceu a relação entre os Estados Unidos e o Brasil e citou o acordo de salvaguardas tecnológicas, assinado em março, que permite o uso comercial da base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão. "É uma oportunidade de criar muitos negócios. Com essa nova relação abrimos oportunidades no setor de tecnologia de segurança", afirmou.

Ele também afirmou que o Brasil tem compromisso com as questões ambientais e climáticas e com matrizes de energia limpa. "Você só pode ter boa produção de alimentos se fizer de uma forma sustentável", disse Levy. "Junto com isso, o Brasil é um País que presta muita atenção em suas matrizes energéticas", completou.

O ministro afirmou ainda que é necessário reduzir o gasto público no país, uma das áreas-chave de mudanças atuais. Ele afirmou que não é possível "demitir todo mundo", do setor público, mas é importante estabelecer novas maneiras de contratar a partir do momento em que os servidores começam a se aposentar.

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