Nos EUA, Mantega diz que há espaço para corte nos juros

O Banco Central ainda tem espaçopara reduzir a taxa de juros, disse o ministro da Fazenda,Guido Mantega, nesta quinta-feira, um dia depois do Comitê dePolítica Monetária (Copom) decidir manter a taxa básica dejuros após 18 cortes seguidos. Mantega disse a jornalistas em Washington, onde participaráde encontros do Fundo Monetário Internacional (FMI) no fim desemana, que cabe ao Copom explicar por que decidiu manter ataxa Selic em 11,25 por cento na quarta-feira. Ele argumentou, no entanto, que a interrupção da trajetóriade queda dos juros tem "poucos efeitos práticos do ponto devista macroeconômico". "A economia não vai parar de crescer por causa dessainterrupção. A demanda agregada continua aquecida no país --eladepende mais do volume de crédito, que está crescendo de formaexpressiva", disse Mantega, citando um crescimento anual deentre 24 e 25 por cento no crédito. O ministro acrescentou que o impacto total dos cortes dejuros já realizados ainda não foi sentido pela economia. "Tenho certeza que o Copom retomará a redução da taxa dejuros quando achar conveniente e que a nossa taxa de jurochegará a um juro real de 5 ou 5,5 por cento ao ano", disseMantega sem, no entanto, mencionar quando isso poderá ocorrer. Mantega disse ainda que o recém-criado Banco do Sul estarámais próximo dos interesses dos países da América Latina do quequalquer outra instituição multilateral. Segundo ele, a possibilidade de uma maior influênciapolítica em instituições como o FMI e o Banco Mundial é"remota, pelo menos do ponto de vista dos votos". "Nós estamos aqui numa briga de foice para tentar elevar aparticipação acionária do Brasil (no FMI), de modo que o Brasiltenha um peso político maior, mas é uma briga grande para sairde 1,4 por cento para, sei lá, 2 por cento, 2,1 por cento",disse. O Banco do Sul é idéia do presidente venezuelano, HugoChávez, para ser um alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, queele considera muito influenciados por Washington. No início deste mês, ministros de Venezuela, Bolívia,Equador, Uruguai, Paraguai, Brasil e Argentina se reuniram noRio de Janeiro para fundar o banco. Mas eles ainda não chegarama um consenso sobre o capital inicial da instituição e sobrecomo os membros farão suas contribuições.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.