Nos EUA, o maior desemprego em 14 anos

Índice foi a 6,5% em outubro; no ano, cortes chegam a 1,2 milhão

Nalu Fernandes, NOVA YORK, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

A taxa de desemprego mais alta em 14 anos e a ampliação das perdas dos postos de trabalho nos Estados Unidos refletem uma economia em recessão e fornecem indicações de que o mercado de trabalho ainda vai piorar no próximo ano, de acordo com analistas em Nova York. Os profissionais concordam que o desafio do presidente eleito, Barack Obama, será abrandar os efeitos da recessão. "Se alguém ainda estava querendo saber como é uma recessão, o relatório de emprego em outubro fornece uma imagem forte", diz economista-sênior do CIBC World Markets, Meny Grauman.De acordo com o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, a taxa de desemprego avançou para 6,5% e o mercado de trabalho perdeu 240 mil vagas em outubro. No acumulado do ano, os cortes chegam a 1,2 milhão. "Metade dessas perdas ocorreu nos últimos três meses", diz o documento divulgado pelo governo. O pior para o mercado de trabalho ainda está por vir. Segundo o vice-presidente para mercados globais do Bank of New York Mellon, Michael Woolfolk, "é inegável que este tenha sido um relatório fraco". "A perspectiva para o mercado de trabalho é desoladora agora", acrescentou. Ele prevê que a taxa de desemprego ainda vai bater em 8% no próximo ano. Vale observar que essa projeção está se tornando consenso em Wall Street.O economista da gestora de ativos Alliance Bernstein, Joseph Carson, prevê uma queda de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no quarto trimestre do ano. Se confirmado o declínio, o número vai "representar o pior desempenho trimestral da economia americana desde 1982", diz o economista. No terceiro trimestre, o PIB do país declinou 0,3%. No trimestre anterior, os Estados unidos cresceram 2,8%.Dawn Desjardins, do RBC Capital Markets, acrescenta que o corte de vagas nas empresas do setor financeiro foi de 24 mil em outubro e o setor já perdeu 102 mil postos de trabalho desde agosto do ano passado, segundo dados oficiais. "O enfraquecimento no emprego teve bases amplas. A aceleração do ritmo do corte de emprego e o avanço da taxa de desemprego indicam que a economia vai experimentar crescimento mais fraco no quarto trimestre, depois do declínio no terceiro trimestre", prevê.O economista-chefe da consultoria IHS Global Insight, Nigel Gault, cita outra avaliação que também é consensual entre os participantes dos mercados: a de que Obama terá de se esforçar para "mitigar o tamanho da recessão". Ele estima que, agora, "os esforços (da transição dos governos republicano e democrata) devem se intensificar para a elaboração de um amplo pacote de estímulo fiscal, provavelmente de US$ 200 bilhões (superior ao pacote anterior, de cerca de US$ 150 bilhões), que seja implementado no fim deste ano e início do próximo". FRASESMeny GraumanEconomista-sênior do CIBC World Markets"Se alguém ainda estava querendo saber como é uma recessão, o relatório de emprego em outubro fornece uma imagem forte"Michael WoolfolkVice-presidente do Bank of NY Melllon"A perspectiva para o mercado de trabalho é desoladora agora"Dawn DesjardinsRBC Capital Markets"O enfraquecimento no emprego teve bases amplas"

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