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Nos investimentos, faça o que eu faço, não o que eu digo

Pai da chamada Moderna Teoria de Finanças, Harry Markowitz desenvolveu a teoria de otimização da carteira de investimentos usando retornos, volatilidades e correlações; mas nos próprios investimentos, ele alocava partes iguais em diferentes ativos

Fábio Gallo, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 04h00

Diferentes pesquisas, locais e internacionais, sobre o comportamento do investidor na pandemia indicam que as pessoas aumentaram a preocupação em preparar planos para o futuro, começaram a economizar mais e buscaram conhecimento sobre investimentos.

O resultado é o aumento dos volumes poupados e o maior número de investidores na Bolsa. Muitos optaram por fazer os próprios investimentos, mesmo não tendo formação em áreas de gestão ou economia.

Uma maneira encontrada para desenvolver métodos de investimentos foi buscar dicas de especialistas. Obviamente, existe muita coisa boa no ambiente virtual, mas também dicas questionáveis. Numa troca de ideias com meu colega William Eid, achamos interessante conferir o que grandes nomes do mundo financeiro dizem sobre investimentos e o que fazem na prática.

Fomos verificar o pai da chamada Moderna Teoria de Finanças, Harry Markowitz, que desenvolveu em 1952 a teoria de otimização da carteira de investimentos usando retornos, volatilidades e correlações. É um modelo muito elegante e que nos traz entendimento de como ocorre o equilíbrio entre risco e retorno.

No entanto, em entrevista sobre como ele tratava seus próprios investimentos, a resposta foi que alocava partes iguais dos recursos em diferentes ativos.

Em resumo, ele não usava sua própria criação teórica porque ela não funciona. Seria possível usarmos todo o conjunto de explicações técnicas para justificar essa posição mas, para simplificar, o modelo constrói a carteira de investimentos como base em determinado retorno esperado e buscando o menor risco possível.

Para essa construção é preciso estimar os valores esperados dos retornos, volatilidades e correlações de todos os ativos em análise. 

Imagine fazer isso para uma carteira com dezenas de ativos. Seriam necessárias centenas de estimativas e num ambiente de mercados tão imprevisíveis, voláteis e incertos, com base em dados passados.

Pior ainda, no mundo pós-pandemia. Como sabemos: o futuro é incerto e o passado não se repete. Algo mais simples e natural de ser aplicado é construir a carteira pela pirâmide de objetivos.

Assim, a cada objetivo estabelecido deve ser associado uma parcela do capital. De forma que, para objetivos de mais curto prazo e maior importância, devem ser associadas aplicações de menor grau de risco e maior liquidez.

Um primeiro objetivo é uma reserva de emergência que deve estar vinculada a um fundo de renda fixa com liquidez diária. A aposentadoria, admitindo-se que ainda esteja mais distante, é um objetivo que pode estar atrelado a algo com mais risco e menor liquidez, como um fundo multimercado.

Os outros objetivos devem ser pensados da mesma forma. A pirâmide terá na base objetivos de manutenção da riqueza com ativos de menor risco, conforme formos subindo podemos atrelar objetivos com investimentos de diversos graus de risco e no topo buscando ganhos com oportunidades com maior grau de risco.

* PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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