Nos planos de Lula, negócios das Arábias

Há um intenso trabalho para que a visita que o presidente Lula fará ao Oriente Médio em dezembro tenha bons resultados. A maior aposta é que os negócios podem quase triplicar em quatro anos, saltando das atuais exportações de US$ 2,7 bilhões para cerca de US$ 7 bilhões até 2006. A projeção é baseada em estudo que cruzou dados sobre a capacidade e a disponibilidade de exportações do Brasil com a demanda existente hoje nos países árabes e que não está plenamente atendida. Mas não são apenas estudos e projeções que movem os negociadores nessa área. Os últimos resultados no comércio com os países árabes mostram uma evolução de 19% nas exportações brasileiras para a região, alcançando US$ 1,056 bilhão no primeiro semestre deste ano, ante US$ 887,14 milhões no mesmo período de 2002. Se a comparação for feita entre os últimos 12 meses e o período anterior também de 12 meses, o crescimento das exportações brasileiras é ainda maior, de 26,47%. Foram US$ 2,19 bilhões de julho de 2001 a junho de 2002 e que saltaram para US$ 2,77 bilhões de julho de 2002 para junho de 2003. Ao todo são 22 países, dos quais 13 têm representação diplomática no Brasil. Os maiores exportadores para o Brasil em 2002 foram a Argélia , com US$ 1,08 bilhão, a Arábia Saudita (US$ 600 milhões) e o Iraque (US$ 330 milhões). Na outra ponta, as exportações brasileiras foram de US$ 680 milhões para os Emirados Árabes, US$ 560 milhões para a Arábia Saudita e US$ 385 milhões para o Egito. No primeiro semestre deste ano, houve acréscimo nas exportações brasileiras para o Egito (40%), para a Argélia (110%) e para a Líbia (200%) Esses números, mais a melhora no perfil das vendas, que passam a incorporar produtos de maior valor agregado, fundamentam o otimismo com a visita do presidente da República àqueles países. Além de todas essas informações, há a notória experiência do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, nos negócios com os países árabes, já que ele liderou inúmeras missões da empresa que presidia, a Sadia, que é grande exportadora para a região. Há alguns dias, o ministro Furlan voltou ao Oriente Médio, comandando uma missão preparatória da visita de Lula. Da comitiva participou também o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), Paulo Sérgio Atallah, um entusiasta da política de comércio exterior que vem sendo desenvolvida pelo governo Lula e que faz todas as apostas no incremento do comércio entre o Brasil e o mundo árabe. "Desde a campanha eleitoral tivemos a oportunidade de comunicar à equipe de Lula que o Brasil poderia triplicar suas vendas para os países árabes em quatro anos, desde que houvesse uma ação direta do governo brasileiro nesse sentido", diz Atallah. O compromisso de visitar os países árabes no primeiro ano de mandato data de então. Quais países serão visitados ainda está em estudo pelo governo brasileiro e pelos serviços diplomáticos dos países árabes. Na missão encerrada há dias, da qual participou também o diretor-geral da Agência de Promoção de Exportações (Apex), Juan Manuel Quiroz, Furlan - que conhece a região há 30 anos - esteve com vários empresários árabes. Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, foi assinado um contrato que deu aos fabricantes de móveis brasileiros licença para operar na zona franca daquele país. Já há uma programação de eventos preparatórios da missão oficial do governo que prevê a participação de empresários brasileiros em feiras e exposições. No Kuwait, segundo país visitado, a missão foi recebida pelo ministro do Comércio e das Comunicações, Ahmed Abdullah Al Ahmed Al Sabah. Na ocasião, o ministro propôs a criação de um grupo empresarial a ser formado pelas câmaras de comércio e indústria dos dois países. Na Arábia Saudita, a missão brasileira também recebeu a honra de convidada oficial e foi hospedada no Conference Palace de Riyadh, considerado o hotel mais caro do mundo, de sete estrelas. Em Jeddah, a missão foi recebida pelo príncipe herdeiro, Abdullah Bin Abdul Aziz Al Saud, que recebeu uma carta do presidente Lula, a quem disse admirar muito, segundo o relato de Atallah. O principal apelo para os negócios é o superávit obtido pelo Brasil em 2002, de US$ 250 milhões, uma conta que "virou", mas que sempre foi deficitária, em razão das importações de petróleo. No período de janeiro a maio deste ano, os produtos brasileiros mais exportados para os países árabes foram carne de frango, açúcar, minério, carne bovina, soja, máquinas e equipamentos de terraplenagem.

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