''Nos próximos 10 anos, País se manterá líder em etanol''

No Ethanol Summit, físico diz que álcool brasileiro vai dominar mercado enquanto 2.ª geração não nascer

Eduardo Magossi e Gustavo Porto, O Estadao de S.Paulo

04 de junho de 2009 | 00h00

O Brasil continuará líder do setor de etanol de cana-de-açúcar nos próximos 10 anos. A projeção é do físico José Goldemberg que, durante encerramento do Ethanol Summit 2009, disse acreditar que a produtividade no País tende a crescer com novas variedades geneticamente modificadas. Além disso, a área plantada deve aumentar sobre pastagens degradadas no Brasil e também em outros países na região tropical. Goldemberg ainda vê uma grande janela de oportunidade para o País antes que o etanol de segunda geração chegue à maturidade tecnológica e comercial. Segundo ele, atualmente, os 22,5 bilhões de litros produzidos pelo Brasil já substituem 1% do consumo mundial de gasolina. "É possível substituir 10% do consumo de gasolina em 10 anos", afirma. Segundo ele, desde o início do Proálcool, em 1975, a produtividade do etanol tem crescido a uma taxa média de 4% ao ano. A tese ganhou força no mesmo evento, após o conselheiro da delegação da Comissão Europeia no Brasil, Fabian Delcros, ter afirmado que a União Europeia está convencida de que não conseguirá produzir biocombustíveis suficientes para cumprir sua meta de redução de emissão de gás carbônico e terá de importar. Aprovada no ano passado, meta europeia prevê adição de 10% de combustíveis renováveis em sua matriz até 2020. Mas, de acordo com o conselheiro, esse combustível, principalmente o etanol, terá de ser certificado e dentro dos padrões da União Europeia. "Quem quiser exportar para a Europa precisa ter sustentabilidade e o Brasil até tem um programa nesse sentido", disse. "A questão é se há a compatibilidade desses programas e, para isso, o Brasil precisa apresentar o realizado aqui para um debate com a União Europeia", afirmou o conselheiro. Delcros afirmou que a decisão da UE de importar biocombustíveis ocorre menos pelo impacto no aumento dos preços dos alimentos, que é mínimo e varia entre 3% e 10%, e mais pela falta de disponibilidade de área para o cultivo agrícola necessária para a produção. COOPERAÇÃODiplomatas defenderam ontem, durante o evento, o aprofundamento da cooperação entre Brasil e Estados Unidos na pesquisa da tecnologia do etanol. "Sem ter uma forte parceria na pesquisa tecnológica não conseguiremos avançar no desenvolvimento de novas gerações do etanol", afirmou o subsecretário de Energia e Alta Tecnologia do Itamaraty, André Amado. Segundo ele, o Brasil lidera a produção de etanol de primeira geração, mas os Estados Unidos contam com muito mais investimentos para produzir a segunda e a terceira gerações. "Para o Brasil, é estratégico que a parceria com os Estados Unidos avance", disse. Um memorando de entendimento sobre cooperação entre Brasil e EUA foi assinado em março de 2007. Para Amado, enquanto no Brasil cerca de 85% dos pesquisadores estão ligados ao governo, nos Estados Unidos, mais de 50% das pesquisas são amparadas pela iniciativa privada, o que garante maior aporte de recursos.

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