FOTO PAULO LIEBERT/AE
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Nos serviços, o impacto mais agudo da greve

A queda abrupta da atividade de transporte rodoviário em decorrência da greve dos caminhoneiros foi determinante para o recuo de 3,8% do volume de serviços entre abril e maio deste ano

O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2018 | 03h00

A queda abrupta da atividade de transporte rodoviário em decorrência da greve dos caminhoneiros foi determinante para o recuo de 3,8% do volume de serviços entre abril e maio deste ano, um recorde na série histórica iniciada em janeiro de 2011. O subsetor de transportes, serviços auxiliares e correios caiu 9,5%, porcentual que atingiu 15% nos serviços rodoviários. Quedas menos intensas, compatíveis com a desaceleração geral da economia, foram observadas em outros serviços, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE.

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Os serviços prestados às famílias, por exemplo, caíram 0,3% entre abril e maio e 1,3% entre maio de 2017 e maio de 2018. Nos mesmos períodos de comparação, os serviços de informação e comunicação cederam 0,4% e 1,1%, os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 1,3% e 3% e outros serviços caíram 2,7% e 1,7%.

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Economistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) notaram que as perdas foram generalizadas, mas, na maioria dos segmentos, “não foram fortes o bastante para destoarem do padrão recente”. Maio, segundo o Iedi, “foi apenas mais um capítulo desfavorável de uma frágil evolução de alguns segmentos”. Na melhor das hipóteses, houve uma estagnação no faturamento da maioria dos serviços nos primeiros cinco meses de 2018.

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Entre abril e maio de 2018, 23 das 27 regiões pesquisadas acusaram retração no volume de serviços, segundo a PMS. Destacaram-se Estados mais dependentes do transporte por rodovias. Entre maio de 2017 e maio de 2018, a queda alcançou 25 regiões, com alta apenas no Distrito Federal e em Roraima. Quedas superiores a 10% foram registradas em Tocantins, Mato Grosso, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraná e Pará. Em São Paulo, o recuo foi de 1,9%.

Visto como um todo, o setor de serviços é o maior contribuinte do Produto Interno Bruto (PIB) e maior gerador de empregos, em geral de baixa qualidade. Os serviços dependem muito da indústria, cuja produção caiu 10,9% em maio, e do comércio, em queda mensal de 4,9% no varejo ampliado.

A queda dos serviços reflete as dificuldades enfrentadas pela economia para sair do marasmo e recuperar as perdas registradas na recessão de 2014/2016. Sem a volta da confiança, a saída do marasmo poderá ser lenta.

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