Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

''Nossa crise particular já ficou para trás''

Para Constantino Junior, após perder cerca de R$ 1 bi com a incorporação da Varig, grupo está pronto para ganhar com a sinergia

Entrevista com

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

A Gol passou o ano de 2008 em processo de reestruturação, tentando reverter os prejuízos decorrentes da aquisição da Varig. Agora que a empresa conseguiu recuperar sua margem operacional, vem a crise global. "Enfrentamos a nossa crise particular no processo de incorporação da Varig", afirma o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior. "Mas todo o exercício que fizemos para cortar custos nos deixou muito melhor preparados para uma eventual crise do que estávamos há um ano." O executivo, que na quinta-feira participou em Brasília do encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que foram anunciadas as medidas de estímulo ao consumo, acredita que o setor crescerá 6% em 2009, estimativa que considera um PIB entre 3% e 4%. "Não quero demonstrar confiança exagerada, acho que a crise pode não ser tão grave quanto a gente imagina. Com essas novas medidas, vamos conseguir superar essa crise de maneira exemplar em relação ao resto do mundo." O executivo recebeu a reportagem do Estado na nova sede da empresa, no antigo prédio da Varig em Congonhas, com um pedido para que não fosse abordado o assunto do indiciamento de seu pai, Nenê Constantino, como mandante do assassinato de um jovem em 2001. O senhor participou da reunião com o presidente Lula em que foram anunciadas as medidas para estimular o consumo, como redução das alíquotas do IR e de IOF. O sr. acha que as medidas podem estimular as viagens? Nós não reivindicamos nada específico para a indústria de aviação, mas qualquer medida de estímulo ao consumo é positiva, ajuda a girar a economia. Os anúncios foram importantes e sinalizam que o governo está atento à crise. Acredito que a soma das medidas deve amenizar o impacto da crise na demanda para o ano que vem.Qual a expectativa para o setor em 2009?Os mercados estão muito voláteis, qualquer previsão pode mudar a qualquer momento. Com essa expectativa de crescimento do PIB entre 3% e 4%, mantemos nossa expectativa de 6% da demanda para a indústria da aviação no Brasil. Como vocês pretendem enfrentar a crise? A gente entra em 2009 com condição de extrair 100% dos benefícios das sinergias da fusão com a Varig. Enfrentamos uma crise particular durante todo esse processo. O que fez com que nos exercitássemos no sentido de reduzir custo, ganhar produtividade, foco. Estamos muito melhor preparados para uma eventual crise do que estávamos há um ano.Vocês passaram o ano de 2008 cortando custos e estão concluindo o processo de incorporação da Varig, que gerou mais de R$ 1 bilhão de prejuízo. No terceiro trimestre, o grupo teve margem operacional positiva de 3,5%. Mas havia uma expectativa de que no quarto trimestre a demanda iria reagir. Entretanto, em novembro a ocupação dos aviões ficou em 58%, bem abaixo da TAM, com 66%. Realmente, 2008 foi um ano que exigiu muita dedicação e compreensão até de nossos colaboradores. Tivemos de refazer e replanejar processos, integrar sistemas de reserva. O fim dos vôos internacionais foi muito doloroso. Tivemos alguns probleminhas com a integração do sistema de reserva em novembro e isso atrapalhou um pouco a reação no mês passado. Mas a expectativa é que a partir de dezembro a gente comece a usufruir dos benefícios da fusão, aumentando a taxa de ocupação pra algo muito próximo da média do mercado. A expectativa é ter um resultado melhor no quarto trimestre, com uma margem operacional melhor do que a 3,5%. Ainda há margem para cortar custos? Custo é como unha, cresce todo dia. Não podemos admitir excesso de custos. Estamos saindo de um exercício grande de redução de custos, melhorias e unificação de processos, trabalhamos de forma intensa nos últimos três ou quatro meses para alcançar uma estrutura bem enxuta. A Gol pretende reduzir a oferta? Nosso cronograma de entregas está sendo revisado pela Boeing, por causa da greve. Temos algumas substituições de aeronaves - vamos devolver os 737-300 e receber os 800, mais eficientes e maiores - e vamos passar de 104 para 108 aviões em 2009. E ao longo do ano reduzimos o uso das aeronaves, hoje estamos voando 12 horas e meia, 13 horas por dia. Isso já está ajustado para uma expectativa de crescimento de demanda de 6%. A empresa planeja demissões? Com esse aumento de oferta, deve até aumentar (o número de empregados). Gol e TAM entraram com questionamento na Anac em relação a um suposto favorecimento à Azul. Isso está mesmo ocorrendo?Não estamos acusando a Anac. Houve solicitações feitas pela Gol à Anac e enfrentamos negativa, poucos dias atrás. Mandamos para a Anac uma carta solicitando esclarecimentos. A gente quer entender em que contexto isso tudo aconteceu. Até a onde a gente consegue perceber, o nosso pedido foi negado e foi cedido para a Azul. E outra questão que nós levantamos foi o prazo na concessão dos hotrans (horários de vôos). Existe a comissão de linhas aéreas, que reúne as companhias sistematicamente, e padroniza a forma como são feitos os pedidos de todas as companhias. A regra diz que o pedido tem que ser feito com no mínimo 30 dias antes do início do vôo.A Anac diz que já concedeu hotrans para TAM e Gol em um, dois ou três dias. E que quando for possível conceder antes do prazo, isso será feito.Que bom, eu desconheço. Nem entraria nessa polêmica. Temos de reconhecer que há um esforço grande da diretoria de acelerar os processos. Nossa malha integrada foi analisada em 68 dias. É muito ou pouco? Não sei dizer. Não quero comparar com os 30 dias. O que quero dizer é que não existe má vontade para com a Gol nem acho que tenha privilégio para a Azul. Queremos entender o contexto em que tudo aconteceu. Se a gente puder ter todos os hotrans aprovados em cinco dias, se vai ser assim daqui para diante, maravilha. Se houver flexibilidade, quem ganha é o sistema, não somos contra.

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