Wilson Dias/Agência Brasil
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'Nossa desarticulação cria problemas para a economia', diz Guedes

Segundo ministro da Economia, é preciso harmonia entre Executivo e Legislativo para evitar medidas que comprometam o equilíbrio fiscal

Anne Warth, Brasília

13 de março de 2020 | 11h17

 O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta-feira, 13, que a desarticulação entre o Executivo e o Legislativo tem criado problemas que ameaçam o equilíbrio fiscal do País. "Vocês viram o efeito que está tendo na economia essa nossa desarticulação política. Esses desentendimentos nossos criam problemas para a economia", disse.

Guedes se referiu à derrubada do veto presidencial a um projeto de lei que eleva o limite de renda para concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), que tem custo estimado de R$ 20 bilhões só neste ano.

"Anteontem (quarta-feira,11) fomos ao Congresso em um momento complicado, em que foi votada uma medida de R$ 20 bilhões, (fomos) em solidariedade às lideranças políticas", disse ele, em referência aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e ao presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação de Guedes, a derrubada do veto foi uma derrota política de todos, não só do governo, mas também das lideranças do Legislativo.

O ministro justificou o fato de não ter apresentado  um plano de medidas para conter o avanço do coronavírus ao Congresso na quarta-feira pelo fato de que a doença ainda não havia se agravado no País. Naquele dia, o ministro irritou as lideranças do Congresso ao cobrar a aprovação de reformas e criticar a aprovação de medidas que aumentam o gasto público, sem mencionar ações específicas direcionadas à saúde e à economia.

Guedes disse que foi à reunião com Maia, Alcolumbre e outras lideranças do Congresso a pedido de Bolsonaro e que, segundo ele, naquele momento, o Brasil contabilizava menos de 40 casos de contaminação por coronavírus. De acordo com informações do Ministério da Saúde, no início da tarde de quarta-feira o País contabilizava 37 casos, mas, no fim da tarde, o número já tinha subido para 52. À noite, segundo a plataforma da pasta, já havia 69 casos confirmados.

“Como é que nós podemos ter já um enorme pacote de medidas se nós estamos tomando conhecimento do agravamento da coisa, e a coisa está chegando lentamente aqui, agora está começando a chegar?”, questionou. “Em menos de 48 horas criamos nosso grupo de monitoramento e de combate à crise.”

As declarações de Guedes foram uma resposta ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, criticou a lentidão equipe econômica em adotar medidas para ajudar a combater o coronavírus.

Guedes disse que ainda hoje, 13, o grupo de monitoramento de combate à crise fará uma reunião no Palácio do Planalto. “Vamos lançar o nossos programa anticoronavírus”, afirmou.


 

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